A disfunção erétil após prostatectomia radical é uma consequência possível, mas pode ser abordada com diferentes estratégias terapêuticas, dependendo de cada caso clínico.
O cancro da próstata é um dos tumores mais frequentes entre os homens em Portugal . Com o aumento das taxas de sobrevivência, a preservação da qualidade de vida após o tratamento, incluindo a reabilitação da função sexual, tornou-se uma preocupação central no acompanhamento clínico destes doentes.
Entre as alternativas de cuidados, a prostatectomia radical é uma das principais opções terapêuticas. Consiste numa cirurgia pélvica indicada em doentes selecionados e pode estar associada a efeitos secundários como incontinência urinária e disfunção erétil. No entanto, quando presente, a disfunção erétil pode ser abordada com diferentes estratégias terapêuticas.
De seguida, explicamos as principais causas da disfunção erétil pós-cirurgia de próstata, as opções de tratamento disponíveis e alguns aspetos da vida sexual no pós-operatório.
Causas da disfunção erétil pós-cirurgia
A disfunção erétil é uma sequela possível da prostatectomia radical, frequentemente associada à manipulação ou lesão dos feixes vasculo-nervosos responsáveis pela ereção, uma eventualidade que pode ocorrer independentemente da técnica cirúrgica utilizada.
A preservação desses nervos nem sempre é possível, uma vez que o tumor pode estar localizado próximo dessas estruturas. Para realizar a prostatectomia, pode ser necessária a manipulação desses feixes nervosos, o que pode comprometer a sua função.
A redução do fluxo sanguíneo peniano e alterações cicatriciais nos tecidos pélvicos também podem estar entre os efeitos da prostatectomia radical. Isto contribui para a dificuldade em obter ou manter uma ereção.
Importa salientar que estes efeitos podem ser temporários, variando conforme a extensão da cirurgia e as características do doente.
Os aspetos psicológicos também merecem atenção. Ansiedade, receio de falhar, alterações da autoimagem e impacto emocional associado ao diagnóstico e ao tratamento podem contribuir para disfunção erétil de origem psicogénica.
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Tratamentos para disfunção erétil após a prostatectomia radical
É importante avaliar se houve sequelas na função eréctil após o tratamento do cancro, para iniciar atempadamente estratégias de reabilitação peniana, com acompanhamento urológico.
A recuperação da ereção após a cirurgia de próstata depende da gravidade da disfunção erétil, da resposta aos tratamentos e das necessidades do doente.
Entre os tratamentos utilizados no manejo da disfunção erétil após a prostatectomia radical, destacam-se:
Inibidores da PDE5 (Sildenafila, Tadalafila, Vardenafila)
Os inibidores da PDE5 podem ser utilizados para apoiar a função erétil no pós-operatório, uma vez que favorecem o aumento do fluxo sanguíneo para os corpos cavernosos do pénis, estruturas essenciais para a ereção.
Estes fármacos orais podem ser prescritos para utilização antes da atividade sexual ou, em alguns casos, em regime regular, sempre de acordo com a avaliação médica. Contudo, podem apresentar efeitos secundários, como cefaleias, rubor facial, congestão nasal, náuseas ou desconforto gastrointestinal.
A indicação deve ser individualizada, tendo em conta o perfil clínico do doente e eventuais contraindicações.
Injeções intracavernosas
Os tratamentos injetáveis intracavernosos podem ser considerados em doentes com disfunção erétil após prostatectomia radical, sobretudo quando não existe resposta adequada aos fármacos orais.
Esta abordagem consiste na administração de medicação diretamente nos corpos cavernosos do pénis, com o objetivo de induzir uma ereção suficiente para a atividade sexual. A dose e o ensino da técnica de administração devem ser orientados por um urologista.
Como em qualquer terapêutica, a utilização de injeções intracavernosas pode estar associada a efeitos adversos, incluindo dor local, hematoma, risco de fibrose peniana ou priapismo (ereção prolongada e dolorosa), motivo pelo qual o acompanhamento médico regular é essencial.
Bomba de vácuo
Os dispositivos de vácuo criam pressão negativa em torno do pénis, promovendo o afluxo de sangue aos corpos cavernosos. Podem ser considerados, mediante indicação médica, como parte integrante de um programa de reabilitação da função erétil.
A sua utilização sob orientação clínica visa promover a oxigenação dos tecidos penianos. No entanto, o uso destes dispositivos pode estar associado a efeitos adversos, tais como desconforto local, petéquias ou hematomas.
Reconstrução peniana associada à colocação de prótese
Nos casos em que a disfunção erétil é mais grave e não existe resposta satisfatória às abordagens conservadoras, pode ser considerada uma intervenção cirúrgica.
Em alguns doentes, a cirurgia prostática pode estar associada a alterações fibróticas e à perda de elasticidade dos tecidos penianos, o que pode causar curvatura peniana e tender a agravar o quadro de disfunção erétil.
Nestas situações, a cirurgia de implantação de prótese peniana, eventualmente associada a técnicas de reconstrução, pode ter indicação clínica. O objetivo desta intervenção é procurar restabelecer a rigidez necessária para a penetração, quando outras alternativas terapêuticas se revelaram ineficazes.
Como são as relações sexuais pós-implante?
A vida sexual depois de um implante peniano devido às sequelas da cirurgia da próstata pode ser satisfatória, mas com algumas diferenças.
Após a remoção da próstata, deixa de ocorrer ejaculação com emissão de sémen. Isto acontece porque a próstata e as vesículas seminais, responsáveis por grande parte do líquido seminal, são removidas durante a cirurgia.
O orgasmo geralmente mantém-se, uma vez que não depende diretamente da próstata ou do implante.
A sensibilidade geralmente mantém-se, mesmo quando há lesão dos nervos envolvidos na ereção durante a prostatectomia, uma vez que esses nervos estão sobretudo relacionados com o mecanismo de vasodilatação peniana. Já na cirurgia para a colocação da prótese, as estruturas nervosas responsáveis pela sensibilidade da glande tendem a ser preservadas, e alterações da sensibilidade tendem a ser transitórias.
O reinício da atividade sexual após a cirurgia requer o cumprimento rigoroso das orientações médicas. O período de adaptação é variável e, com o devido acompanhamento clínico, procura-se que o doente retome a sua função sexual com segurança.
Dúvidas frequentes
Qual é o tratamento para disfunção erétil após prostatectomia radical?
O tratamento depende de avaliação clínica individualizada. Em alguns casos, podem ser utilizados medicamentos orais ou injetáveis. Nos quadros mais complexos ou refratários, a abordagem cirúrgica, incluindo colocação de prótese peniana, pode constituir uma opção adequada.
O que fazer para lidar com a disfunção erétil?
Recomenda-se a marcação de uma consulta de urologia perante o aparecimento de dificuldades de ereção. Através de uma avaliação clínica detalhada, o médico especialista poderá estabelecer o diagnóstico e discutir o plano terapêutico mais adequado ao contexto individual do doente.
Após a cirurgia da próstata, é possível ocorrer disfunção erétil?
Sim, a disfunção erétil após prostatectomia é uma consequência frequente. O risco varia conforme fatores como a extensão da cirurgia, a possibilidade de preservação nervosa, a função erétil prévia, a idade e outras condições clínicas associadas. Nem todos os homens apresentam o mesmo grau de alteração, e a evolução deve ser acompanhada de forma individualizada.
Procure avaliação médica e orientação individualizada
A disfunção erétil após prostatectomia radical pode ser abordada de diferentes formas, conforme a avaliação médica individualizada.
Portanto, perante queixas de disfunção erétil após prostatectomia radical, recomenda-se consulta com um médico com experiência em tratamentos para a disfunção erétil. Marque um horário para uma avaliação clínica e definição da abordagem mais adequada para cada doente.