Em casos seleccionados, a Doença de Peyronie e a disfunção eréctil podem ser abordadas no mesmo procedimento, com colocação de prótese peniana e correcção da curvatura peniana.
Conviver com deformidades penianas e dificuldades na vida sexual pode ser difícil. Quando estes problemas surgem em conjunto, poderá ser considerada uma abordagem cirúrgica combinada em casos seleccionados, depois de avaliadas a anatomia, a função eréctil, as alternativas terapêuticas e as expectativas do doente.
Antes de definir se esta é uma opção, é essencial avaliar as características de cada caso e levar em consideração as necessidades de cada doente.
É possível operar Peyronie e colocar uma prótese ao mesmo tempo?
Sim. Em casos seleccionados, a prótese pode ser colocada no mesmo procedimento que técnicas destinadas à correcção da deformidade.
Nestes casos, a prótese peniana pode fornecer suporte mecânico à erecção quando existe disfunção eréctil. A função sexual e a possibilidade de actividade sexual após o procedimento dependem da anatomia, da sensibilidade, da adaptação ao dispositivo e de outros factores clínicos individuais.
As recomendações da European Association of Urology abordam a possibilidade de considerar uma prótese peniana em determinados doentes com doença de Peyronie e disfunção eréctil que não apresentam resposta adequada ao tratamento farmacológico. A aplicabilidade dessas recomendações depende da avaliação clínica individual e do conteúdo exacto da orientação consultada.
A indicação deve ser realizada após avaliação especializada, considerando a qualidade das erecções, o tipo de curvatura, a presença de deformidades complexas e os objectivos funcionais de cada doente.
Porque é que Peyronie e disfunção eréctil podem aparecer juntas?
A Peyronie não provoca obrigatoriamente disfunção eréctil, mas a presença de uma curvatura peniana pode dificultar a penetração.
A tentativa de manter relações sexuais apesar da dor ou de uma curvatura significativa pode favorecer traumatismos repetidos e, em algumas situações, agravar os sintomas ou interferir com a função sexual. Perante dor ou dificuldade de penetração, é aconselhável procurar avaliação médica.
A relação também pode acontecer no sentido inverso: alguns homens já apresentam disfunção eréctil antes do aparecimento da doença.
A menor rigidez peniana pode alterar a forma como o pénis se comporta durante a actividade sexual e, em alguns doentes, estar associada a traumatismos ou a outras alterações. A relação entre traumatismos, curvatura e formação de fibrose é complexa e deve ser avaliada no contexto clínico individual.
Quando a prótese peniana pode ser considerada na Doença de Peyronie?
A cirurgia de Peyronie com prótese peniana pode ser considerada quando existe:
- Disfunção eréctil significativa;
- Resposta insuficiente a medicamentos, injecções e abordagens complementares;
- Deformidade que dificulta ou inviabiliza a penetração e os movimentos durante a actividade sexual.
A indicação cirúrgica depende de uma avaliação individualizada. Em muitos casos, a evolução e a estabilidade da curvatura são consideradas antes da decisão, mas o momento adequado para a cirurgia depende dos sintomas, da anatomia, da função eréctil, da evolução da doença e das orientações do urologista.
A prótese peniana corrige a curvatura?
Na doença de Peyronie, a prótese peniana destina-se principalmente a fornecer suporte mecânico à erecção quando existe disfunção eréctil. A prótese, por si só, não corrige necessariamente a curvatura ou outras deformidades provocadas pela placa fibrótica, podendo ser ponderadas técnicas reconstrutivas quando clinicamente indicadas.
Quando persistem curvatura ou outras deformidades penianas, pode ser considerada uma técnica reconstrutiva no mesmo acto cirúrgico ou noutra fase, conforme a anatomia, a gravidade da deformidade e a avaliação do urologista.
A cirurgia pode tratar a curvatura e a disfunção eréctil no mesmo procedimento?
Quando existe indicação para prótese peniana, a reconstrução da deformidade e a colocação do implante podem, em determinados casos, ser realizadas no mesmo acto cirúrgico. A técnica utilizada deve ser escolhida pelo urologista de acordo com a anatomia, a deformidade e a experiência clínica, sem que a menção a uma técnica específica implique superioridade ou resultado garantido.
A primeira etapa é tratar a deformidade. Para isto, são realizadas incisões geométricas na túnica albugínea.
Estas incisões podem ser utilizadas para tratar a retracção tecidular e corrigir parte do desalinhamento, conforme a anatomia e os tecidos de cada doente. Qualquer alteração do comprimento ou do calibre é variável e não pode ser garantida antes do procedimento.
Depois da expansão e do alinhamento, é possível colocar uma prótese peniana maleável ou insuflável, escolhida previamente.
Como é decidida a estratégia cirúrgica?
A estratégia cirúrgica é definida a partir de uma avaliação detalhada.
Além de ouvir a história clínica do doente e perceber de que forma a deformidade interfere com a actividade sexual, o urologista examina o pénis.
A ecografia peniana com Doppler é útil para avaliar as características morfológicas e vasculares do pénis e fornecer informações que ajudam a planear o procedimento cirúrgico.
Para a decisão, são considerados factores como:
- fase e o grau da curvatura,
- presença de deformidades complexas,
- características da placa fibrótica,
- qualidade da erecção,
- anatomia dos corpos cavernosos.
Cirurgias e tratamentos realizados anteriormente também são tidos em conta, bem como as expectativas do doente.
A partir deste conjunto de informações, o cirurgião pode avaliar se existe indicação para cirurgia, quais as opções técnicas a considerar, se a colocação de uma prótese peniana é apropriada e se os procedimentos podem ser realizados no mesmo acto cirúrgico. A decisão deve resultar de uma discussão clínica individualizada com o doente.
É preciso esperar que a Doença de Peyronie esteja estável?
A evolução e a estabilidade da fibrose e da curvatura devem ser avaliadas antes da cirurgia. Em alguns doentes, a intervenção é ponderada após um período de estabilidade, mas o momento adequado depende do quadro clínico, dos sintomas, da anatomia e da avaliação do urologista.
Na fase aguda, a fibrose peniana e as deformidades ainda podem estar em evolução, com possibilidade de agravamento ou alteração da curvatura ao longo do tempo.
Se a cirurgia for realizada nessa fase, a anatomia peniana pode continuar a modificar-se depois do procedimento.
Como é a recuperação após a cirurgia?
Nos primeiros dias do pós-operatório, podem ocorrer dor, edema e desconforto. O doente regressa a casa com um penso cirúrgico, que deve ser cuidado conforme as orientações recebidas da equipa médica.
O doente deve manter o acompanhamento médico para que sejam avaliadas a cicatrização, a adaptação à prótese e a eventual necessidade de reabilitação.
A retoma das actividades e da vida sexual é progressiva e deve seguir as orientações da equipa médica. O momento de regressar à rotina habitual varia de acordo com a cicatrização, o tipo de procedimento, a evolução clínica e a resposta individual, pelo que não deve ser apresentado um prazo único como expectativa de recuperação.
Que resultados podem ser esperados?
Os resultados variam conforme o quadro clínico, a anatomia, a técnica utilizada e a evolução de cada doente. Dependendo da indicação e do procedimento realizado, podem ser discutidos objectivos como a redução da curvatura, o suporte à erecção ou a melhoria funcional. Não é possível garantir alinhamento, aumento das dimensões, capacidade de penetração, retoma da actividade sexual ou melhoria da qualidade de vida sexual em todos os casos.
A satisfação após a cirurgia varia entre os doentes e deve ser interpretada à luz das expectativas, dos objectivos funcionais, da evolução clínica e dos possíveis riscos e limitações do procedimento. Resultados de estudos ou de grupos de doentes não permitem prever a satisfação de uma pessoa em particular.
Quando existe indicação, uma cirurgia combinada pode permitir tratar a deformidade e a disfunção eréctil no mesmo procedimento. A eventual repercussão na actividade sexual varia entre os doentes, e a combinação não é adequada nem necessária para todas as pessoas.
Se apresenta Doença de Peyronie associada a dificuldade de erecção ou deformidade que interfere com a actividade sexual, uma avaliação especializada pode ajudar a determinar se a cirurgia e a colocação de uma prótese peniana poderão ser consideradas no seu caso.