A fuga venosa, também designada disfunção veno-oclusiva, ocorre quando o pénis não consegue reter o sangue necessário para manter uma ereção de boa qualidade.
Numa ereção normal, o aumento do fluxo sanguíneo para os corpos cavernosos é acompanhado por um mecanismo de retenção venosa, que reduz a saída do sangue e permite manter a rigidez peniana. Quando esse mecanismo falha, o sangue escapa prematuramente, o que dificulta ou impede a manutenção da ereção.
Qual a diferença entre Fuga Venosa e Disfunção Erétil?
A fuga venosa é uma alteração venosa (disfunção veno-oclusiva). Nesta situação, o sangue consegue entrar nos corpos cavernosos do pénis, mas escapa demasiado cedo, o que impede a manutenção da ereção. Ou seja, o problema está na incapacidade de o pénis reter o sangue durante a ereção.
A fuga venosa é uma das possíveis causas de disfunção erétil, mas não é a única. A disfunção erétil corresponde à dificuldade persistente em obter ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória.
Como sei se tenho fuga venosa?
A suspeita clínica de fuga venosa (disfunção veno-oclusiva) baseia-se frequentemente nos seguintes sinais:
- Dificuldade em ter uma ereção, mesmo quando existe desejo e estímulo sexual adequados;
- Perda de ereção durante a relação sexual.
Contudo, mesmo diante dos sintomas, o diagnóstico só é confirmado com avaliação clínica e exames complementares.
Numa primeira fase, o urologista recolhe a história clínica do doente e realiza exame físico do pénis, procurando alterações como fibroses, que podem estar associadas ao quadro.
Já a ecografia Doppler peniana, realizada após indução farmacológica da ereção, permite avaliar o fluxo sanguíneo arterial e venoso, bem como a resposta vascular ao longo de todo o pénis. Se for encontrada entrada adequada de sangue com incapacidade de retenção, o caso sugere disfunção veno-oclusiva.
A interpretação do exame deve ser sempre feita em conjunto com a avaliação clínica, para distinguir a fuga venosa de outras causas de disfunção erétil.

Quais os tipos de tratamento para a fuga venosa?
O tratamento para fuga venosa centra-se no tratamento disfunção erétil vascular associada. As alternativas dependem do grau de comprometimento da retenção sanguínea, da dificuldade em manter a ereção e da resposta individual de cada doente.
Os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (como o sildenafil ou o tadalafil) podem ser indicados no tratamento oral da disfunção erétil. Estes fármacos promovem a vasodilatação e o fluxo sanguíneo peniano, facilitando a resposta erétil perante estímulo sexual, devendo ser prescritos após avaliação médica.
Quando a terapêutica oral não apresenta a eficácia pretendida, pode ser considerada a terapêutica injetável intracavernosa. Fármacos vasodilatadores, como o alprostadil, procuram induzir uma ereção adequada para a atividade sexual. Contudo, a adaptação e a tolerância a este tratamento variam de doente para doente.
Nos casos em que as abordagens conservadoras não são eficazes, pode ser considerada a colocação de uma prótese peniana. Este dispositivo permite restaurar a rigidez necessária para a atividade sexual, independentemente do mecanismo vascular comprometido.
Nos casos refratários às abordagens conservadoras, a intervenção cirúrgica para implantação de prótese peniana pode ter indicação. O objetivo deste procedimento é procurar restabelecer a rigidez necessária para a penetração.
Existem diferentes tipos de próteses penianas (maleáveis e insufláveis), cuja escolha deve ser discutida entre o médico e o doente, ponderando as características clínicas e as expectativas individuais.
Importa salientar que a implantação de uma prótese não substitui a componente psicológica e emocional da sexualidade. O desejo e o estímulo sexual continuam a ser fundamentais para a satisfação e para a resposta fisiológica global.
Este tratamento para fuga venosa e disfunção erétil deve ser reservado para casos selecionados, apenas quando as demais opções terapêuticas não apresentam eficácia suficiente ou não são adequadas para o doente. A indicação deve ser feita após avaliação urológica individualizada.
Para saber se este é o seu caso, recomenda-se uma pré-análise feita por um urologista. Com ela, poderá ter acesso à abordagem mais adequada e iniciar um tratamento seguro e eficaz.