Como abordagem complementar, as ondas de choque podem ter utilidade no controlo da dor em doentes selecionados. Contudo, não são capazes de corrigir a curvatura peniana ou eliminar placas fibróticas.
Entre as alternativas não cirúrgicas, a terapia por ondas de choque tem sido estudada na doença de Peyronie. Trata-se de uma abordagem geralmente realizada em ambulatório, cuja utilidade e eficácia podem variar conforme a situação clínica e o protocolo utilizado.
Para compreender o seu papel, é importante distinguir uma abordagem principal de um tratamento coadjuvante. As ondas de choque podem ser consideradas como abordagem complementar em situações seleccionadas, mas não substituem outras opções terapêuticas que possam ser indicadas pelo urologista.
O que é a terapia por ondas de choque?
A terapia por ondas de choque consiste na aplicação de estímulos mecânicos através de um equipamento específico.
Durante a sessão, o operador posiciona o aplicador do equipamento sobre as zonas seleccionadas, utilizando um gel de contacto para facilitar a transmissão das ondas.
O número de impulsos, a intensidade, a frequência das aplicações e o número de sessões podem variar conforme o equipamento e o protocolo utilizado.
Atualmente, não existe um protocolo universalmente estabelecido para a utilização das ondas de choque na Doença de Peyronie.
Qual é o papel desta terapia na Doença de Peyronie?
Na doença de Peyronie, têm sido estudados protocolos com diferentes níveis de energia, que poderão produzir alterações locais nos tecidos, nomeadamente a nível vascular e inflamatório.
Entre os efeitos estudados das ondas de choque nesta condição está o possível alívio da dor durante a fase aguda da doença de Peyronie, embora a resposta possa variar entre os doentes.
Algumas recomendações clínicas referem que as ondas de choque podem ser consideradas para o controlo da dor peniana durante esta fase, embora a força dessa recomendação seja limitada e não esteja demonstrada uma melhoria consistente da curvatura peniana ou do tamanho da placa.
Assim, a terapia não deve ser apresentada como uma forma de alinhar o pénis ou eliminar placas fibróticas. A sua utilização deve ser complementar e dependente de avaliação especializada.
O que diz a evidência científica?
Os estudos disponíveis não apresentam resultados totalmente uniformes.
Uma meta-análise publicada em 2024, na revista científica BMC Urology, identificou sinais de possível melhoria da dor na Peyronie e de alguns parâmetros relacionados com a placa e a curvatura, mas ainda não é possível retirar conclusões definitivas.
Outra meta-análise, publicada em 2023, também na revista BMC Urology, analisou quatro ensaios clínicos randomizados, que incluíram 301 doentes. Os resultados indicaram que as ondas de choque podem contribuir para reduzir a dor e o tamanho da placa. Não foi, porém, demonstrado um benefício estatisticamente significativo na curvatura peniana ou na função sexual.
O número de estudos disponíveis continua a ser limitado e os critérios utilizados para avaliar os resultados não são homogéneos. Por isso, os resultados de um determinado estudo não podem ser automaticamente aplicados a todos os doentes.
Em que situações pode ser considerada?
A terapia por ondas de choque na doença de Peyronie pode ser ponderada, em alguns casos, durante a fase activa, sobretudo quando existe dor peniana relevante.
Contudo, a indicação depende de avaliação especializada e pode ainda integrar um plano multimodal seleccionado pelo urologista.
Quais são as limitações da terapia?
As ondas de choque não se destinam a tratar a causa da doença e não demonstraram corrigir de forma consistente a curvatura peniana ou deformidades estruturais complexas. Além disso, esta terapia não substitui a cirurgia peniana quando, após avaliação especializada, existe indicação para tratamento cirúrgico ou reconstrução peniana.
A terapia por ondas de choque não demonstrou melhorar de forma consistente a disfunção eréctil associada à doença de Peyronie.
Os resultados das ondas de choque são variáveis e as expectativas devem ser realistas.
Além disso, a dor associada à Peyronie pode diminuir espontaneamente com a progressão da fase activa para a fase estável da doença, dificultando atribuir a melhoria exclusivamente à intervenção com ondas de choque.
Perguntas frequentes
O tratamento é doloroso?
A aplicação é bem tolerada, embora possa provocar desconforto local, vermelhidão, hematomas ou sensibilidade transitória. Os efeitos secundários e a intensidade do desconforto podem variar conforme o equipamento e o protocolo utilizado.
Quantas sessões são habitualmente necessárias?
Não existe um número padrão. O tratamento é individualizado e o protocolo deve ser definido de acordo com a avaliação do urologista.
As ondas de choque eliminam as placas fibróticas?
Não é possível afirmar, com base na evidência actualmente disponível, que as ondas de choque eliminem as placas fibróticas ou a fibrose peniana. Alguns estudos identificaram alterações no tamanho das placas, mas esses resultados não equivalem à eliminação da fibrose.
As ondas de choque podem complementar o tratamento de Peyronie
A terapia pode ter utilidade como opção complementar, sobretudo para o controlo da dor em alguns doentes durante a fase activa.
A evidência científica não demonstra, porém, uma correção consistente da curvatura nem a eliminação das placas fibróticas.
A decisão deve ser individualizada e baseada numa avaliação especializada, e não apenas na facilidade de aplicação deste protocolo.
Caso pretenda perceber se esta abordagem pode integrar o plano terapêutico mais adequado ao seu caso, uma consulta especializada de urologia permite avaliar as opções atuais com base na evidência científica disponível.
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