A cirurgia para pénis torto tem como objectivo corrigir a curvatura peniana e procurar um alinhamento funcional do órgão. Em casos seleccionados, poderá também ser considerada a abordagem da disfunção eréctil associada, quando clinicamente indicada.
A cirurgia do pénis curvo pode ser considerada em homens com deformação peniana congénita ou adquirida, sobretudo quando esta tem repercussão funcional, sexual ou emocional relevante.
Antes de qualquer decisão terapêutica, é fundamental realizar uma avaliação médica adequada. É natural que existam dúvidas ou receios em relação a uma intervenção cirúrgica, pelo que o esclarecimento individualizado faz parte do processo de decisão.
Quando correctamente indicada e realizada em contexto clínico adequado, esta cirurgia pode apresentar um perfil de segurança aceitável. O pós-operatório varia de caso para caso, sendo importante esclarecer previamente os cuidados necessários, as limitações temporárias e os possíveis riscos e intercorrências.
Indicações da cirurgia de pénis torto
É importante salientar que nem todas as curvaturas penianas exigem tratamento cirúrgico.
Quando a curvatura não interfere com a função sexual nem causa desconforto relevante, o acompanhamento clínico pode ser suficiente para vigiar a evolução da situação ao longo do tempo.
Por outro lado, quando o pénis curvado provoca dor, constrangimento ou dificuldades na vida sexual, pode ser necessária a intervenção cirúrgica.
Nestes casos, a correcção cirúrgica pode ser ponderada no contexto de agravamento progressivo da curvatura, dor, limitação funcional ou dificuldade em obter ou manter erecção, após avaliação clínica adequada.
Exames iniciais e planeamento da cirurgia para endireitar o pénis
O primeiro passo do planeamento cirúrgico para a correcção do pénis curvo consiste na avaliação detalhada da situação clínica, através de um conjunto de exames, nomeadamente:
- Anamnese (história clínica): recolha de informações sobre o estado geral de saúde, utilização de medicamentos, antecedentes familiares e presença de doenças crónicas, com o objectivo de orientar o diagnóstico e a decisão terapêutica;
- Inspecção e palpação do pénis: permitem identificar a presença de fibroses ou placas, através do exame físico, com o pénis em estado flácido;
- Erecção fármaco-induzida: administração de um medicamento para provocar a erecção, possibilitando avaliar a curvatura, o comprimento, o calibre e a rigidez do pénis;
- Teste de rigidez: avalia se o pénis atinge rigidez suficiente para a penetração, permitindo detectar sinais de disfunção eréctil;
- Ecografia peniana com Doppler: analisa a anatomia e a circulação sanguínea do pénis, identificando eventuais causas vasculares da disfunção eréctil e confirmando a presença e as características das fibroses.
Durante esta etapa, é fundamental que o doente compreenda o possível impacto funcional, estético e psicológico da cirurgia, bem como os seus limites, riscos e expectativas realistas.
A correcção da curvatura peniana tem como finalidade melhorar o alinhamento peniano e, quando possível, reduzir limitações funcionais e desconfortos associados à condição.
Além disso, sempre que clinicamente possível, o cirurgião procura preservar, dentro dos limites anatómicos e funcionais, o comprimento e o calibre penianos. Importa, no entanto, esclarecer que o objectivo da cirurgia não é aumentar as dimensões do pénis.
Em alguns casos, a intervenção poderá ter repercussão positiva no bem-estar e na vivência da sexualidade, embora esses resultados variem de acordo com a situação clínica e com a resposta individual.
Pré-operatório da cirurgia que endireita o pénis
Quando, após avaliação clínica, existe indicação cirúrgica, procede-se ao planeamento pré-operatório e ao eventual agendamento da cirurgia de correcção da curvatura peniana, de acordo com as características do caso.
Como em qualquer procedimento cirúrgico, podem ser solicitados exames pré-operatórios para avaliação do estado geral de saúde e para redução de risco perioperatório. Habitualmente, são também dadas orientações relativas ao jejum antes da cirurgia, de acordo com o protocolo clínico e anestésico aplicável.
Podem ainda ser fornecidas orientações sobre a higiene da região operatória e, quando clinicamente indicado, sobre a utilização de medicação no contexto perioperatório, sobretudo em doentes com factores de risco acrescido, como a diabetes.
Na véspera da cirurgia, é também recomendável assegurar uma boa noite de sono, de forma a contribuir para uma melhor recuperação no pós-operatório.
O que acontece no dia da cirurgia
A cirurgia de correcção da curvatura peniana tem uma duração variável, situando-se frequentemente entre 2 e 3 horas, consoante a complexidade do caso. O procedimento pode ser realizado com sedação e anestesia local, de acordo com a avaliação clínica e anestésica.
Quando necessária, a preparação da região operatória é realizada em ambiente cirúrgico, de acordo com os protocolos de assepsia adoptados pela equipa.
No início da cirurgia, o urologista realiza uma incisão subcoronal, isto é, um pequeno corte cirúrgico efectuado imediatamente abaixo da glande, que permite expor os tecidos do pénis e aceder às estruturas internas necessárias para a correcção da curvatura.
Consoante as características anatómicas e funcionais de cada doente, pode estar indicada a associação de técnicas reconstrutivas. Entre as abordagens descritas para casos seleccionados, inclui-se a Técnica de Egydio, aplicada no contexto da reconstrução dos tecidos penianos.
A Técnica de Egydio permite ao cirurgião intervir no lado mais curto do pénis, com o objectivo de corrigir a deformidade e, quando anatomicamente possível, preservar ou recuperar alinhamento, comprimento e calibre, dentro dos limites impostos pelas estruturas neurovasculares. Em situações seleccionadas, pode também integrar o planeamento reconstrutivo associado à colocação de um implante peniano.
Se a correcção da curvatura não for considerada suficiente apenas com esta técnica, poderá ser ponderada, no mesmo acto cirúrgico, a utilização complementar de plicaturas no lado mais longo, de acordo com a avaliação intra-operatória e com os objectivos funcionais do caso.
É verdade que o pénis fica em erecção durante o procedimento?
Sim. Durante a cirurgia de correcção da curvatura peniana, pode ser necessário induzir uma erecção artificial e controlada, com recurso a técnicas e fármacos utilizados em contexto operatório, para avaliação adequada da deformidade.
A erecção intra-operatória permite ao cirurgião observar melhor a deformidade peniana e orientar a decisão técnica quanto à localização e à extensão das manobras cirúrgicas necessárias.
Além disso, a erecção intra-operatória permite avaliar de imediato a resposta à correcção efectuada e perceber se são necessárias manobras complementares antes de concluir o procedimento.
Após essa etapa, a erecção induzida é revertida e a cirurgia prossegue conforme o plano operatório definido, incluindo, quando indicado, a preparação para eventual colocação de implante peniano.
A recuperação depois da cirurgia
O paciente retorna ao médico algumas horas após a cirurgia do pénis curvo. Nesta consulta, o profissional avalia o resultado inicial da intervenção e dá orientações essenciais para uma cicatrização adequada.
Após a cirurgia, o paciente mantém a bandagem no pénis durante os primeiros 5 dias, sem a remover. Porém, passado esse período, ele próprio deve trocar a bandagem diariamente durante mais 5 dias em casa.
Nos primeiros dias do pós-operatório, os médicos indicam frequentemente medicação para inibir as ereções, a fim de evitar hematomas, proteger as suturas e otimizar a recuperação.
Em alguns casos, eles podem recomendar fisioterapia peniana durante a recuperação, para orientar uma cicatrização retilínea e manter o comprimento e o calibre penianos restaurados pela cirurgia.
O paciente retoma as atividades habituais de forma gradual, de acordo com a resposta do seu organismo, podendo o processo ser dividido em três fases:
- Entre 7 e 10 dias: é possível regressar ao trabalho, desde que não envolva esforço físico;
- Ao fim de 30 dias: podem retomar as actividades físicas;
- Entre 45 e 60 dias: é retomada a vida sexual.
Os médicos utilizam pontos cirúrgicos absorvíveis, que o organismo elimina naturalmente em cerca de dois meses, sem causar incómodo durante as relações sexuais.
O Acompanhamento Contínuo é Fundamental
Ao longo de todo o processo, o cirurgião acompanha o doente de forma contínua, desde o diagnóstico até à fase de recuperação, tanto presencialmente como à distância.
O acompanhamento é fundamental para que o doente se sinta seguro desde a tomada de decisão e para que a recuperação decorra da melhor forma possível, permitindo a retoma da qualidade de vida sexual.
Os médicos podem considerar a correção cirúrgica da curvatura peniana quando a alteração compromete a função sexual ou o bem-estar do paciente.
Para saber se este procedimento é adequado ao seu caso, contacte a nossa clínica e marque uma avaliação individualizada.