A correção da curvatura peniana pode ser realizada através de diferentes abordagens cirúrgicas, mas nem todas as situações requerem intervenção. A indicação terapêutica depende sempre de uma avaliação clínica individualizada.
Perante a percepção de uma curvatura, é comum surgir a dúvida sobre as opções de tratamento. Contudo, é fundamental esclarecer que a intervenção médica nem sempre é necessária, particularmente quando a condição não interfere com a função sexual nem causa impacto psicológico significativo.
Apresentar uma ligeira curvatura é normal. Quando a curvatura é mais acentuada, provoca dor na ereção, dificulta a penetração ou faz com que o pénis dobre ou “escape” durante a relação sexual, é importante procurar avaliação médica especializada.
Em muitos casos, a curvatura pode estar acompanhada de deformidades penianas, como estreitamento, perda de comprimento e comprometimento da função sexual.
A seguir, veja o que é a curvatura peniana, por que razão surge, quando deve ser avaliada e quais são os tratamentos mais indicados em cada situação.
O que é a curvatura peniana?
A curvatura peniana é um desvio significativo do pénis que se torna visível durante a erecção. É importante lembrar que muitos pénis têm uma curvatura ligeira e fisiológica.
O problema surge quando essa curvatura é acentuada, dolorosa ou interfere com a relação sexual. Nestes casos, um dos lados da túnica albugínea (membrana que envolve os corpos cavernosos) apresenta menor elasticidade e distende menos durante a erecção, levando o pénis a desviar-se para cima, para baixo, para a direita, para a esquerda ou em mais do que uma direcção.
O que pode deixar o pénis torto?
A curvatura peniana pode ter origem congénita — ou seja, estar presente desde o nascimento — ou ser adquirida ao longo da vida.
Na curvatura congénita, o indivíduo nasce com uma diferença de elasticidade na túnica albugínea. Normalmente, a curvatura é notada na puberdade, quando as erecções começam a acontecer.
Em muitos casos, a perda de elasticidade resulta da formação de fibrose na túnica albugínea, geralmente associada a microtraumas penianos repetidos ao longo do tempo. Nesta situação, a condição designa-se por Doença de Peyronie.

Em ambos os casos, a curvatura pode evoluir e causar deformidades, como estreitamento e encurtamento peniano, além de dor durante a erecção. Em alguns doentes, pode também surgir disfunção eréctil.
Existe uma idade mais comum para o problema aparecer?
Não existe uma idade única. Algumas curvaturas estão presentes desde cedo e tornam-se mais perceptíveis na puberdade, quando o pénis se desenvolve.
Noutros casos, a curvatura aparece mais tarde, sobretudo entre os 40 e 60 anos, frequentemente associada à Doença de Peyronie.
Quando é que a curvatura peniana passa a ser um problema?
Dor ou desconforto
Dor durante a erecção ou durante a relação sexual pode indicar que a condição está em fase activa ou a presença de fibrose.
Dificuldade na penetração
Quando o pénis está torto, a deformidade tende a impedir ou dificultar a penetração, pois o pénis dobra ou escapa durante as tentativas.
Impacto emocional e na auto-estima
Muitos homens sentem insegurança, evitam a intimidade e desenvolvem sofrimento psicológico associado à alteração no pénis, sobretudo quando existe dor ou disfunção eréctil associada.
Tipos de curvatura peniana
A curvatura peniana pode apresentar-se de formas diferentes, consoante a sua origem e evolução ao longo do tempo.
Doença de Peyronie (curvatura adquirida)
A acumulação de tecido cicatricial pode resultar em:
- Nódulo ou placa palpável;
- Dor nas erecções;
- Curvatura peniana durante a ereção;
- Curvatura anormal e progressiva;
- Diminuição do comprimento peniano;
- Estreitamento ou deformidade em “ampulheta”;
- Disfunção eréctil.
Curvatura congénita
A curvatura congénita está presente desde o desenvolvimento e, por si só, não causa complicações. No entanto, em algumas situações, pode favorecer a formação de fibroses e o desenvolvimento da Doença de Peyronie.
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Como endireitar o pénis?
A curvatura peniana possui diversas opções de tratamento, embora nem todas as situações exijam intervenção. A decisão terapêutica depende da intensidade do desvio, da presença de dor, da estabilidade do quadro clínico, da função eréctil e do impacto na vida sexual do doente.
O tratamento da curvatura pode, em muitos casos, ser realizado inicialmente com abordagens clínicas, e nos casos mais acentuados, com abordagens cirúrgicas, conforme a avaliação médica individual.
Tratamentos clínicos
Os tratamentos clínicos podem ser úteis em casos ligeiros ou em fases iniciais da curvatura peniana. Nestes casos, o objectivo é controlar os sintomas, estabilizar a progressão do quadro e preservar a função sexual.
1. Medicação
Na fase inicial da Doença de Peyronie, alguns doentes podem beneficiar de tratamento com fármacos com o objectivo de estabilizar a evolução do quadro.
Além disso, podem estar indicados analgésicos para o controlo da dor e medicação vasodilatadora para ajudar nos casos em que exista disfunção eréctil associada.
2. Terapia de tracção peniana
Em casos seleccionados, a tracção peniana pode ser considerada como complemento terapêutico.
Esta abordagem pode ser feita através de exercícios manuais ou com dispositivos específicos, com o objectivo de evitar a retracção e estimular a elasticidade tecidular.
O doente deve ser bem orientado pelo médico, para que não haja risco de novas lesões penianas.
3. Bomba de vácuo
A bomba de vácuo é um dispositivo composto por um tubo cilíndrico onde o pénis é inserido e por um anel de constrição. Esse tubo liga-se a uma bomba que cria vácuo, favorecendo a erecção e estimulando os tecidos do pénis.
Trata-se de uma abordagem complementar e pode agravar o quadro existente se for utilizada sem orientação médica.
Tratamentos cirúrgicos
A correção anatómica da curvatura peniana requer, por norma, intervenção cirúrgica. Contudo, a cirurgia não tem indicação para todos os doentes. O tratamento cirúrgico é geralmente considerado quando existe estabilidade da curvatura, angulação significativa e comprometimento da qualidade de vida sexual.
O tipo de técnica depende do grau de curvatura, do comprimento peniano disponível, da complexidade da deformidade e da função eréctil do doente.
1. Técnica de Nesbit
A Técnica de Nesbit é a mais tradicional. É utilizada para igualar os lados da túnica albugínea através da redução do lado mais longo do pénis, ou seja, encurtando o lado com maior elasticidade.
Embora esta técnica permita endireitar o pénis e corrigir a curvatura, é importante conhecer as potenciais limitações: a técnica pode provocar diminuição do comprimento peniano, numa escala que pode variar entre 0,5 e 5,0 centímetros, consoante o grau de curvatura, e o uso de fios cirúrgicos não absorvíveis pode causar desconforto ou dor durante as relações sexuais.
2. Técnica de Egydio
A Técnica de Egydio baseia-se no alongamento do lado mais curto da túnica albugínea, procurando corrigir a curvatura com uma abordagem reconstrutiva.
Baseada em princípios de reconstrução geométrica, esta técnica visa a correção da curvatura através da expansão tecidular. Em doentes com indicação clínica, tem como objetivo preservar, dentro dos limites anatómicos, as dimensões penianas e pode facilitar a implantação de uma prótese peniana nos casos de disfunção eréctil concomitante.
3. Técnica Stage
A técnica Stage pode ser utilizada como complemento da cirurgia reconstrutiva peniana em alguns casos específicos. O objectivo é deixar o pénis mais alinhado e preservar o máximo de comprimento dentro das possibilidades clínicas.
A curvatura pode voltar depois do tratamento?
A correção cirúrgica da curvatura não garante uma resolução definitiva em todos os casos, existindo a possibilidade de recidiva da curvatura mesmo após o tratamento.
Isso pode acontecer devido à causa subjacente da curvatura, ao surgimento de novas lesões ou à técnica utilizada na correcção.
Por isso, o acompanhamento médico é essencial. Com uma vigilância adequada, o especialista pode identificar precocemente qualquer alteração e intervir atempadamente, evitando o agravamento do quadro.
Entre em contato com o Dr. Paulo Egydio
A presença de uma ligeira curvatura peniana pode ser fisiológica, desde que não cause impacto na saúde sexual ou bem-estar psicológico. Contudo, perante sintomas significativos ou agravamento da curvatura, é recomendada a avaliação por um médico urologista.
Para avaliação do seu caso clínico, contacte a clínica para agendamento de consulta especializada, com análise individualizada e plano de tratamento adequado com vista à recuperação da qualidade de vida