Fibrose peniana: causas e opções de tratamento

Homem adulto em consulta com médico urologista, conversando num consultório moderno e iluminado, em ambiente clínico profissional sobre fibrose peniana

Fibrose peniana: causas e opções de tratamento

Homem adulto em consulta com médico urologista, conversando num consultório moderno e iluminado, em ambiente clínico profissional sobre fibrose peniana
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As fibroses penianas correspondem a áreas de tecido cicatricial que podem reduzir a elasticidade do pénis e estar associadas a curvatura peniana, dor ou alterações da função sexual.

A fibrose é uma condição caracterizada pela formação excessiva de tecido fibroso. Quando esse tecido se desenvolve no pénis, pode estar associada a alterações anatómicas, dor ou dificuldade na actividade sexual, dependendo da localização, extensão e evolução do quadro.

A fibrose peniana pode surgir por diversos motivos, e o diagnóstico deve ser realizado por médico habilitado, habitualmente em contexto de urologia. Perante sinais sugestivos, é recomendável procurar avaliação médica. Uma avaliação atempada pode contribuir para caracterizar a condição e orientar as possibilidades de acompanhamento ou tratamento, quando necessário.

O que é fibrose peniana?

A fibrose peniana é a acumulação de tecido fibroso na túnica albugínea.

O tecido fibroso é composto principalmente por colagénio. Em situações normais, faz parte da estrutura da túnica albugínea e contribui para a sua resistência e elasticidade. Mas, na fibrose, o que existe é excesso de colagénio depositado de forma anómala e rígida.

Este excesso de tecido fibroso pode reduzir a elasticidade da túnica albugínea e limitar a expansão durante a erecção, causando deformidades que, em alguns casos, se tornam mais evidentes quando o pénis está erecto. Em situações mais graves, a curvatura peniana pode dificultar a penetração durante a relação sexual. Este quadro pode estar associado à Doença de Peyronie.

Uma analogia que ajuda a compreender o que as fibroses fazem com o pénis é imaginar uma bexiga com uma fita adesiva colada na sua superfície. Ao insuflar, a área coberta pela fita não se expande e fica deformada.

Em alguns casos, a fibrose da túnica albugínea pode também comprometer a manutenção da erecção, ao dificultar a retenção de sangue nos corpos cavernosos, com impacto na rigidez peniana e na função sexual.

O que causa a fibrose peniana?

As fibroses penianas podem estar associadas a microtraumatismos repetidos, embora nem sempre seja possível identificar uma causa única. Estes microtraumatismos podem ocorrer em diferentes contextos, como:

  • Quedas;
  • Acidentes em práticas desportivas;
  • Atividades sexuais mais vigorosas;
  • Masturbação;
  • Erecções com pénis posicionado lateralmente, inclusive durante o sono;
  • Falta de lubrificação durante a penetração;
  • Roupa interior muito apertada.

Porém, a fibrose peniana também pode estar associada a outras condições, como, por exemplo:

  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial;
  • Colesterol elevado;
  • Cirurgias pélvicas, como a cirurgia de remoção da próstata.

Tipos de fibrose peniana

A fibrose peniana pode apresentar-se com diferentes localizações, extensões e características associadas:

  • Fibrose da túnica albugínea: Corresponde à forma mais clássica, com formação de placa fibrótica na túnica albugínea, podendo causar curvatura ascendente, lateral e/ou descendente, dor e eventual impacto funcional.
  • Fibrose intracavernosa: Estende-se para o interior dos corpos cavernosos e pode comprometer a expansão, a rigidez peniana e a função eréctil. De um modo geral, este tipo de fibrose pode estar associado a afinamento peniano.
  • Fibrose localizada: Pode formar-se num único ponto do pénis, como na base, no corpo ou na glande, resultando em tortuosidade ou afinamento.
  • Fibrose difusa (2 ou mais pontos): Ocorre quando as fibroses se desenvolvem em múltiplas regiões, podendo levar a diversas deformidades, como duas ou mais curvaturas e/ou áreas de afinamento.
  • Calcificação da placa: Característica associada que pode estar presente na face superior, nas faces laterais ou na extremidade distal do órgão, sobretudo em fases mais crónicas.

É importante salientar que sinais sugestivos de fibrose peniana devem motivar avaliação médica, podendo ser consideradas medidas de acompanhamento ou tratamento conforme o diagnóstico e a evolução clínica.

Como identificar a fibrose peniana?

O diagnóstico da fibrose peniana deve ser realizado por médico urologista. No entanto, a observação de alterações no pénis e a palpação cuidadosa podem ajudar o homem a reconhecer sinais suspeitos, sem substituir a avaliação médica.

No autoexame, deve avaliar-se a presença de alterações no órgão, nomeadamente áreas endurecidas ou nodulares, da seguinte forma:

  • Com o pénis flácido: tracionar o membro pela glande, observar e palpá-lo ao longo da sua extensão,
  • Com o pénis erecto: observar se existe curvatura, afinamento, encurtamento ou outra deformidade adquirida.

Importa ressalvar que nem todas as fibroses penianas são facilmente identificáveis por palpação. Em alguns casos, pode existir perda de elasticidade ou lesões pouco evidentes ao exame físico.

Perante estes sinais, recomenda-se avaliação por urologista, que poderá ponderar a necessidade de exames complementares de diagnóstico, conforme o caso.

Sintomas comuns da fibrose

Conhecer os sintomas da fibrose peniana pode ajudar a reconhecer precocemente alterações. Os principais incluem:

  • Curvatura ou deformidade peniana em erecção;
  • Dor durante a erecção ou a atividade sexual;
  • Dificuldade em obter ou manter uma erecção (disfunção eréctil).

Fibrose peniana dói?

A fibrose peniana pode causar dor, dependendo da fase da condição.

Quando se encontra na fase aguda ou inicial, pode provocar dor durante a erecção.

A intensidade da dor pode variar. Alguns homens podem sentir apenas desconforto ligeiro, enquanto outros podem apresentar dor mais intensa.

Na fase crónica, o tecido cicatricial pode manter-se sensível ou tornar-se doloroso à palpação.

A presença de dor deve motivar avaliação médica, preferencialmente em consulta de urologia, para compreender as possíveis causas e definir a orientação clínica mais adequada ao caso.

Tenho fibrose peniana, e agora?

Após suspeita de fibrose peniana, é recomendável procurar avaliação por urologista. O médico poderá considerar exames específicos, incluindo avaliação com erecção induzida em alguns casos, para caracterizar o tipo, a extensão e a gravidade da placa fibrótica, bem como a vascularização do pénis.

Nos casos ligeiros, sem deformidade significativa ou compromisso funcional relevante, pode ser suficiente vigilância clínica ou abordagem terapêutica para limitar a progressão da curvatura.

Nos casos mais avançados, com deformidade acentuada ou compromisso da função sexual, pode ser indicada abordagem cirúrgica.

Importa salientar que procurar orientação médica perante os primeiros sintomas pode favorecer uma avaliação mais atempada e permitir a definição da conduta mais adequada à fase da condição.

Quais são as opções de tratamento para fibrose peniana?

Existem diferentes opções terapêuticas para a fibrose peniana, que podem ser consideradas de acordo com a gravidade do quadro, a fase da doença e o impacto na função sexual.

Na fase inicial, a fibrose pode estar associada a dor, podendo ser consideradas medidas de controlo sintomático, incluindo analgésicos quando clinicamente indicados. Dependendo da evolução clínica, o urologista poderá ponderar abordagens farmacológicas, embora com evidência variável, com o objectivo de acompanhar a evolução da curvatura e tentar reduzir a sua progressão.

Além disso, nesta fase, o médico pode orientar o doente sobre cuidados durante a actividade sexual, como privilegiar posições que reduzam desconforto ou risco de traumatismo, utilizar lubrificação adequada e evitar forçar a penetração, de acordo com a situação clínica individual.

Quando a curvatura progride ou a fibrose entra numa fase cicatricial estável, pode ser indicada abordagem cirúrgica.

À medida que a placa fibrótica evolui, a deformidade peniana pode acentuar-se e a erecção tornar-se mais difícil em alguns doentes. Nestes casos, o procedimento cirúrgico pode ter como objectivo reduzir a curvatura e melhorar a anatomia peniana, respeitando os limites anatómicos e funcionais de cada caso.

Além de abordar a deformidade, em alguns casos associados a disfunção eréctil, a cirurgia pode incluir a colocação de uma prótese peniana, que poderá contribuir para a rigidez peniana durante a relação sexual, conforme a indicação clínica, o funcionamento do dispositivo e a adaptação do doente.

No entanto, se a fibrose estabilizar numa angulação que não cause compromisso da vida sexual, a recomendação médica pode passar apenas por vigilância clínica e monitorização da evolução.

É possível ter uma vida sexual normal mesmo com fibroses?

Em alguns casos, pode ser possível manter actividade sexual satisfatória, dependendo da localização da fibrose, do grau de deformidade, da função eréctil e da abordagem clínica indicada pelo urologista.

Contudo, importa avaliar se a fibrose é localizada e se a deformidade causada não interfere com a rigidez do pénis, nem provoca perdas frequentes de rigidez durante a penetração.

Também é importante manter cuidados com a saúde sexual e procurar orientação médica perante alterações persistentes, de modo a reduzir factores que possam contribuir para traumatismos ou agravamento do quadro, conforme a situação clínica individual.

Cuide ativamente da sua saúde com o Dr. Paulo Egydio

A fibrose peniana é uma condição que deve ser avaliada atempadamente, sobretudo quando provoca dor, curvatura ou alteração da função sexual. Existem diferentes opções de acompanhamento e tratamento, de acordo com a fase da doença, a gravidade da deformidade e o impacto na vida sexual.

Se existirem sintomas compatíveis com os descritos, recomenda-se avaliação por médico urologista. Para avaliação do seu caso clínico, contacte a clínica para agendamento de consulta.