Ondas de choque para Doença de Peyronie: como funcionam e quando são indicadas

Doente e urologista em ambiente clínico, a avaliar exames num tablet e a discutir o tratamento com ondas de choque Doença de Peyronie

Ondas de choque para Doença de Peyronie: como funcionam e quando são indicadas

Doente e urologista em ambiente clínico, a avaliar exames num tablet e a discutir o tratamento com ondas de choque Doença de Peyronie
Assuntos

O tratamento com ondas de choque para a Doença de Peyronie pode ser considerado, em alguns casos, como abordagem complementar, sobretudo na fase inicial da doença, com o objectivo de contribuir para o alívio da dor, sempre após avaliação individual por um urologista.

Embora alguns homens possam adiar a procura de apoio médico, a avaliação precoce da Doença de Peyronie pode ser importante para caracterizar a fase da doença e discutir as opções terapêuticas adequadas, incluindo, quando indicado, abordagens complementares como as ondas de choque.

A curvatura peniana é um dos sinais mais frequentes desta condição e pode causar preocupação com a aparência e a funcionalidade do pénis. Quando a doença é avaliada numa fase inicial, o urologista pode considerar estratégias não cirúrgicas ou menos invasivas, de acordo com os sintomas, a fase da doença e as características de cada caso.

O tratamento com ondas de choque para a Doença de Peyronie pode ser útil quando existe dor ou desconforto associado à doença. Contudo, se a curvatura evoluir e se estabilizar, a cirurgia continua a ser uma opção de tratamento, de acordo com a avaliação individual.

Como funcionam as ondas de choque para Peyronie?

A terapia com ondas de choque na urologia consiste na aplicação de estímulos mecânicos de baixa intensidade no tecido peniano, podendo promover alterações locais ao nível vascular e inflamatório.

O tratamento com ondas de choque para a Doença de Peyronie pode ajudar, em alguns casos, no alívio da dor associada à doença. Quando existe disfunção eréctil associada, a sua indicação deve ser avaliada com especial cautela, uma vez que os resultados sobre a função eréctil podem variar conforme o caso e a evidência disponível.

O tratamento pode ser utilizado como abordagem complementar, com o objectivo de auxiliar no controlo de sintomas associados à Doença de Peyronie.

Quando a terapia por ondas de choque é indicada?

O tratamento com ondas de choque para a curvatura peniana pode ser considerado na fase inflamatória, ou inicial, da Doença de Peyronie. Nesta fase, as placas fibróticas ainda não estão estabilizadas.

Nesta fase, o doente pode apresentar sintomas como:

  • Dor durante a erecção;
  • Perda de comprimento peniano;
  • Evolução da curvatura peniana;
  • Disfunção eréctil associada à curvatura.

No entanto, é fundamental que o quadro seja avaliado individualmente por um urologista, uma vez que a indicação inadequada do tratamento pode não trazer benefício e, em alguns casos, comprometer a evolução da curvatura.

Evidência clínica sobre ondas de choque no pénis

De acordo com uma revisão sistemática publicada no Journal of Sexual Medicine, em 2019, que analisou múltiplos estudos, o tratamento com ondas de choque pode contribuir para o alívio de sintomas associados à Doença de Peyronie.

Nos estudos analisados, o efeito mais consistentemente descrito relaciona-se com o alívio da dor peniana, tendo sido observada redução da dor em até 64% dos doentes em determinados contextos clínicos.

No entanto, os autores observaram que a técnica não demonstrou melhoria significativa da curvatura peniana nem da função eréctil.

Possíveis efeitos da terapia por ondas de choque

O tratamento com ondas de choque para a Doença de Peyronie pode ser considerado no controlo de alguns sintomas, sobretudo na fase inicial da doença ou em casos com dor significativa, embora não seja considerado uma abordagem definitiva para a correcção da curvatura peniana adquirida.

Entre os factores que podem ser considerados na avaliação da terapia por ondas de choque estão o facto de se tratar de um procedimento não cirúrgico, habitualmente realizado em ambulatório, a possibilidade de associação a outras abordagens quando indicado pelo urologista e o seu potencial contributo para o alívio da dor peniana durante a erecção, especialmente na fase aguda da doença. O impacto na qualidade de vida sexual deve ser avaliado de forma individual, tendo em conta os sintomas, a função eréctil e as expectativas do doente.

Os efeitos secundários relatados em estudos tendem a ser ligeiros e transitórios, como dor local ou pequenos hematomas. Ainda assim, a segurança e a adequação do tratamento por ondas de choque para a Doença de Peyronie devem ser avaliadas individualmente, considerando a indicação clínica e a forma como o procedimento é realizado.

Ondas de choque e outras opções de tratamento

A Doença de Peyronie pode ser tratada de diferentes formas, de acordo com a fase da doença, a intensidade da curvatura, a presença de dor, a qualidade da erecção e o impacto na vida sexual do doente.

Na fase inicial, a curvatura ainda pode estar em progressão e é mais comum haver dor durante a erecção. Nesta etapa, o tratamento costuma ter como objectivo controlar os sintomas, acompanhar a evolução da fibrose e reduzir, quando possível, o impacto funcional da doença. Conforme a avaliação médica, podem ser consideradas opções como medicamentos para controlo da dor e da inflamação, tratamentos para disfunção eréctil, dispositivos de tracção peniana, ondas de choque ou outras medidas orientadas pelo urologista.

Na fase estável da Doença de Peyronie, quando a curvatura deixa de progredir e a dor tende a diminuir ou desaparecer, o foco do tratamento passa a estar na avaliação do impacto funcional e sexual da curvatura.

Quando a curvatura impede ou dificulta a relação sexual, ou quando existe disfunção eréctil relevante, o tratamento cirúrgico pode ser considerado. A escolha da técnica, incluindo a eventual indicação de prótese peniana, depende da avaliação individual da curvatura, da função eréctil e dos objectivos terapêuticos.

No entanto, se a curvatura se estabilizar e for ligeira, sem comprometer de forma relevante a actividade sexual, pode ser suficiente manter vigilância clínica e acompanhamento urológico.

Cada caso exige uma avaliação individualizada da fibrose peniana, da estabilidade da curvatura e da função eréctil, que deve ser feita por um urologista habilitado para avaliar e acompanhar esta condição.

Avaliação urológica individualizada da Doença de Peyronie

O tratamento com ondas de choque para a Doença de Peyronie pode fazer parte do plano terapêutico em casos seleccionados, mas a sua indicação deve ser sempre avaliada por um urologista. O profissional também deve esclarecer ao doente as limitações desta abordagem, que está sobretudo relacionada com o alívio da dor, não sendo indicada como método de correcção da deformidade ou de recuperação da rigidez peniana.

Para perceber quais as opções que podem ser adequadas ao seu caso, procure uma avaliação urológica individualizada, na qual possam ser analisados os sintomas, a fase da doença, a curvatura peniana e a função eréctil.

Se pretender obter uma avaliação inicial, pode preencher o formulário com as informações clínicas solicitadas, que serão analisadas de forma confidencial para orientar os próximos passos de acompanhamento.

.