Antes de aceitar qualquer cirurgia, é importante compreender como diferentes materiais podem ser utilizados nas abordagens cirúrgicas e por que razão existem alternativas mais seguras.
Quando os homens com curvatura peniana ganham coragem para pesquisar sobre possíveis tratamentos, eles podem deparar-se com os riscos do enxerto peniano e acabarem por ficar mais angustiados do que antes. No entanto, eles precisam de saber que existe uma cirurgia de Peyronie sem enxerto, descrita na literatura como uma alternativa cirúrgica.
As complicações de uma cirurgia para a Doença de Peyronie com enxerto podem dificultar a decisão de procurar ajuda médica. O medo de disfunção erétil, infecção, perda de sensibilidade, retração e nova curvatura assombra muitos doentes; por isso, o médico deve explicar esses riscos com clareza ao doente.
Neste artigo, será possível compreender por que o enxerto nem sempre é a melhor escolha e por que a Técnica de Egydio pode ser considerada em determinados casos, conforme avaliação médica.
O que é o enxerto na cirurgia de Peyronie e por que razão é utilizado
O enxerto é um material utilizado para cobrir a abertura criada na túnica albugínea, com o objectivo de libertar o lado encurtado pela placa fibrótica e permitir a correcção da curvatura peniana.
Como a Doença de Peyronie cria a necessidade de um enxerto
A Doença de Peyronie leva à formação de uma placa fibrótica rígida na túnica albugínea, impedindo a expansão normal dos tecidos durante a erecção. É essa limitação que provoca a curvatura do pénis.
Nas cirurgias que utilizam enxerto, o cirurgião actua sobre o lado encurtado do pénis, criando espaço para que o órgão volte a alinhar-se. No entanto, se essa libertação dos tecidos gera um defeito na túnica albugínea, o cirurgião precisa cobrir essa área. Ele utiliza, então, um enxerto para fechar o defeito.
Tipos de enxerto utilizados na cirurgia de Peyronie
Ao longo dos anos, os enxertos foram derivados de vários materiais. Hoje, as principais directrizes destacam os seguintes tipos de enxerto na cobertura de defeitos cirúrgicos da cirurgia de Peyronie:
- Enxertos biológicos de origem humana ou animal: são os mais comuns para o quadro e incluem tecidos humanos processados, pericárdio bovino e submucosa intestinal porcina;
- Enxertos autólogos: retirados do próprio doente, como veia, fáscia e mucosa oral;
- Materiais sintéticos: compostos de plásticos de uso médico, e actualmente pouco usados por apresentarem maior dificuldade de integração no organismo.
Por que razão o enxerto ainda é adoptado por muitos cirurgiões
O uso do enxerto consolidou-se como uma das abordagens mais conhecidas na cirurgia da Doença de Peyronie. Durante décadas, foi visto como a principal alternativa às técnicas de encurtamento, como a plicatura, sobretudo nos casos em que se pretendia corrigir a curvatura sem agravar a perda de comprimento peniano.
Por essa razão, as técnicas com incisão ou excisão e enxerto ainda fazem parte das recomendações internacionais para curvaturas acentuadas, deformidades complexas ou estreitamento em “ampulheta”.
Importa sublinhar, porém, que o enxerto pode não ser a opção mais adequada em todos os casos. A utilização do enxerto deve ser avaliada com rigor, e sempre com uma explicação clara sobre os riscos, as limitações e o impacto funcional.

Os riscos reais do enxerto: o que acontece no pós-operatório
No pós-operatório, muitos dos riscos do enxerto podem ter impacto na vida do doente, como cicatrização, função eréctil, sensibilidade e satisfação com o resultado final.
Disfunção eréctil: o risco mais temido
A disfunção eréctil é uma das complicações que mais preocupa os homens após a cirurgia de Peyronie com enxerto.
Esse risco existe porque o procedimento exige abrir a túnica albugínea e, em muitos casos, mobilizar nervos e vasos sanguíneos delicados da região, o que pode afectar a rigidez da erecção.
Uma revisão da literatura de 2019 publicada no periódico científico Sexual Medicine mostrou que a taxa de disfunção eréctil pós-operatória em cirurgias com enxerto pode atingir 65% em determinadas séries clínicas e que a necessidade de tratamento adicional após a cirurgia variou entre 4,6% e 67,4%.
Até que o organismo incorpore o enxerto, o tecido não possui a mesma vascularização de um tecido nativo intacto. Isso torna-o mais vulnerável a contaminação, inflamação, resposta cicatricial excessiva e falha de integração, sobretudo no caso dos materiais sintéticos.
Além disso, doentes com diabetes, imunossupressão ou alterações no processo de cicatrização podem apresentar maior risco de complicações associadas ao uso de enxerto na cirurgia da curvatura peniana.
Retracção do enxerto e recorrência da curvatura
Durante a cicatrização ao longo dos meses seguintes, o enxerto pode retrair. Quando isso acontece, o tecido perde elasticidade, pode voltar a “puxar” o pénis e favorecer recorrência da curvatura e da perda de comprimento.
Em seguimento de cinco anos, um estudo de 2011 mostrou que recorrência da curvatura e perda adicional de comprimento não eram raras no caso de enxerto, contribuindo para elevada insatisfação.
Perda de sensibilidade peniana
Para expor adequadamente a área da placa e colocar o enxerto, é preciso mobilizar o feixe neurovascular. Embora o cirurgião tente preservar essa estrutura ao máximo, pode haver a diminuição da sensibilidade peniana no pós-operatório.
A alteração tende a ser transitória, mas nem sempre desaparece totalmente. Uma revisão publicada no periódico Sexual Medicine em 2019 mostrou que alterações de sensibilidade foram reportadas em 2,0% a 22,5% dos doentes, sendo 80% a 100% desses casos transitórios.
Perda de comprimento: o que ninguém conta antes da cirurgia
Com a cicatrização, o enxerto pode retrair e reduzir parte do ganho obtido ao alongar o lado curto do pénis durante a cirurgia.
Na prática, isso significa que essa técnica não garante a preservação do comprimento peniano nem recupera o que a doença já consumiu.
Como a Técnica de Egydio pode evitar estes riscos
Ao evitar o uso de enxerto, a Técnica de Egydio pode corrigir a deformidade ao mesmo tempo que procura preservar a anatomia e a função do pénis.
O princípio geométrico que elimina a necessidade do enxerto
A Técnica de Egydio baseia-se num princípio geométrico. Ao identificar com precisão o ponto de curvatura máxima e distribuir incisões menores ao longo da área de fibrose peniana, torna-se possível criar defeitos mais pequenos na túnica albugínea.
Essa diferença é decisiva. Quando o defeito é menor, também diminui a necessidade de o cobrir com material adicional. Uma revisão cirúrgica publicada em 2012 no periódico Asian Journal of Andrology indicou que defeitos na túnica albugínea superiores a 2 cm tendem a exigir enxerto.
Uma abordagem reconhecida na literatura internacional
A Técnica de Egydio surge de forma consistente na literatura especializada como uma das abordagens mais reconhecidas para o tratamento de deformidades penianas complexas.
O método está descrito em estudos multicêntricos, revisões cirúrgicas e publicações internacionais de referência sobre a Doença de Peyronie. Além disso, o reconhecimento internacional do método cresce à medida que as diretrizes da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá o incluem em suas recomendações.
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Resultados: aspectos a considerar em abordagens sem enxerto
Em alguns casos, abordagens sem enxerto podem estar associadas a diferentes perfis de risco e recuperação, o resultado funcional e a satisfação do doente a médio e longo prazo.
- Menor risco de complicações: ao evitar o enxerto, reduzem-se riscos como retracção, irregularidade palpável e dificuldades de integração;
- Aspecto mais natural: sem material adicional, a correcção tende a proporcionar um resultado mais homogéneo;
- Melhor preservação do pénis: a técnica procura preservar melhor o comprimento e o calibre;
- Menor impacto na erecção: ao permitir a criação de defeitos mais pequenos na túnica albugínea, a Técnica Egydio favorece uma reconstrução com menor impacto funcional.
Quando o enxerto ainda pode ser necessário?
Quem pode beneficiar da cirurgia sem enxerto
Determinados perfis de doentes podem ter indicação para tratar a curvatura com a Técnica de Egydio.
Essa decisão baseia-se na anatomia peniana, no tipo de deformidade, na presença ou ausência de disfunção eréctil e no historial de cirurgias anteriores.
Doentes com Doença de Peyronie em fase estável
O doente deve apresentar estabilidade da curvatura por 12 meses para se submeter à cirurgia, mantendo a função erétil preservada ou sofrendo apenas um comprometimento parcial.
Homens que já se submeteram a operações prévias sem alcançar o resultado esperado.
O cirurgião pode utilizar a Técnica de Egydio como cirurgia de revisão, inclusive em doentes que já passaram pela operação com enxerto e desenvolveram complicações.
A recorrência da curvatura, a perda de comprimento, a disfunção eréctil ou o desconforto após cirurgia prévia com enxerto podem justificar uma nova intervenção cirúrgica.
Doentes com curvatura congénita e casos complexos
Os princípios geométricos da Técnica de Egydio também se aplicam a deformidades penianas congénitas e a casos complexos de curvatura adquirida, incluindo curvaturas acentuadas, em ampulheta ou associadas a disfunção eréctil.
A decisão mais importante não é operar, é escolher como operar
O enxerto não é apenas um detalhe técnico: pode trazer riscos reais para a saúde sexual do homem e contribuir para insatisfação com o resultado da cirurgia.
Por isso, mais importante do que decidir fazer a cirurgia, é essencial escolher uma abordagem capaz de corrigir a deformidade com o menor impacto funcional possível. É nesse ponto que a Técnica de Egydio representa uma abordagem possível dentro das opções cirúrgicas disponíveis.
Caso tenha dúvidas sobre o seu caso clínico, procure avaliação com um médico urologista qualificado para orientação individualizada. Se chegou até aqui, já deu o primeiro passo. O próximo é falar com o especialista. Poderá solicitar uma avaliação clínica inicial, a qual será analisada de forma individualizada.