Saiba quais tratamentos podem ser utilizados nas fases iniciais da curvatura peniana e quando podem ajudar a evitar a cirurgia.
As deformidades da Doença de Peyronie podem gerar impacto físico, funcional e psicológico na vida do homem. Muitas vezes, ao notar os primeiros sinais de alteração, o doente procura tratamento para curvatura peniana sem cirurgia, na expectativa de melhorar o problema de forma simples e rápida. No entanto, as opções clínicas nem sempre produzem os resultados desejados.
Embora a cirurgia seja uma opção frequentemente utilizada em casos mais avançados, nem todos os doentes necessitam de intervenção cirúrgica imediata.
Na urologia, existem tratamentos clínicos para Peyronie, como medicação oral e injeções, que podem ser considerados antes da cirurgia, sobretudo nas fases iniciais da doença ou quando a curvatura ainda não compromete significativamente a função sexual.
O que acontece na fase inicial da curvatura peniana
A primeira fase da Doença de Peyronie inicia-se com um processo inflamatório no tecido peniano, que leva à formação de placas fibróticas na túnica albugínea.
As placas de fibrose peniana tornam o tecido menos elástico do que o normal. Por isso, durante a ereção, a região afetada não se expande da mesma forma que o restante tecido, gerando uma curvatura.
Na começo da Doença de Peyronie, o homem pode começar a notar alguns sinais que despertam preocupação. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Dor durante a ereção;
- Curvatura no pénis;
- Perda de tamanho peniano;
- Presença de nódulo ou área endurecida palpável.
Porque o diagnóstico precoce é importante
O diagnóstico precoce da Doença de Peyronie permite identificar a condição na fase inicial, quando as abordagens clínicas podem ser consideradas com maior frequência nessa fase.
Durante a fase inicial, em que o processo inflamatório está ativo, o tratamento clínico pode contribuir para o acompanhamento da progressão da doença.
Quando procurar avaliação médica
Ao notar os primeiros sintomas da Doença de Peyronie, o homem deve ser avaliado por um urologista. Inclusive, o médico poderá realizar exames para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento mais adequado para o caso de acordo com a fase da doença.
Tratamentos clínicos utilizados na fase inicial
Os tratamentos conservadores orais ou injetáveis são recomendados na fase inicial da Doença de Peyronie. Aliás, a cirurgia é reservada para situações em que a deformidade se torna estável ou interfere de forma significativa na atividade sexual.
Para além do tratamento não cirúrgico da curvatura peniana, o urologista pode também fornecer orientação médica e indicar terapias complementares, de acordo com a avaliação clínica de cada paciente.
Medicamentos orais utilizados no tratamento
Alguns fármacos podem ser utilizados como parte da estratégia terapêutica inicial. Entre os mais referidos estão:
- Vitamina E + Colchicina;
- Pentoxifilina;
- Potaba.
Contudo, a evidência científica sobre a eficácia destes tratamentos é variável. Também é importante salientar que eles não são capazes de reverter a curvatura.
Além disso, se o homem apresentar sinais de disfunção erétil ou se existir dificuldade na penetração durante as relações sexuais, o urologista pode recomendar fármacos que contribuem para melhorar a rigidez peniana, como:
- Sildenafila;
- Tadalafila;
- Outros inibidores da PDE5.
* É fundamental que qualquer decisão terapêutica seja precedida por avaliação médica especializada. A definição do tratamento deve ser individualizada, com base na análise clínica detalhada de cada caso, não sendo recomendada a utilização de medicamentos ou intervenções sem orientação profissional.
Injeções utilizadas no tratamento da curvatura peniana
Em alguns casos, o tratamento pode incluir injeções intralesionais para a Doença de Peyronie, aplicadas diretamente na placa fibrosa com o objetivo de a tornar menos rígida ou reduzir a sua atividade.
As principais substâncias utilizadas são:
- Collagenase;
- Verapamil.
Além disso, nos casos associados a disfunção erétil que não responderam de forma satisfatória aos inibidores da PDE5, o urologista pode ainda recomendar injeções destinadas a induzir a ereção, como:
- Alprostadil;
- Papaverina;
- Fentolamina.
Terapias complementares para Peyronie
O tratamento da curvatura peniana sem cirurgia pode incluir, em casos selecionados, terapias complementares indicadas pelo médico.
A utilização de dispositivos de tração peniana, bombas de vácuo ou técnicas de fisioterapia peniana podem ser utilizados como complemento terapêutico, com o objetivo de auxiliar no manejo da condição.
Entretanto, essas abordagens geralmente exigem utilização durante vários meses e não devem ocorrer de forma isolada. O paciente deve segui-las sempre sob orientação médica.
Quando a cirurgia pode ser necessária
Sinais de progressão da doença
A decisão de avançar para a cirurgia depende da progressão da Doença de Peyronie. Na fase crónica, a condição pode apresentar:
- Deformidade acentuada do pénis, com curvatura, perda de comprimento e afinamento;
- Curvatura estável durante pelo menos 6 meses;
- Dificuldade ou impossibilidade de penetração;
- Perda de rigidez na ereção (disfunção erétil);
- Impacto relevante na qualidade de vida sexual do doente.
Avaliação especializada antes da cirurgia
Antes de considerar a cirurgia, o doente deve passar por uma avaliação clínica completa com um urologista com experiência em saúde sexual masculina.
O médico irá analisar a curvatura, a função erétil e as características da placa fibrosa para indicar o tratamento mais adequado.
Mas, em alguns casos, se a curvatura peniana não comprometer a vida sexual do homem, pode não ser necessária qualquer intervenção imediata, embora o acompanhamento clínico seja recomendado para monitorizar a evolução da doença.
Então, se pretende compreender melhor as opções de tratamento disponíveis, pode entrar em contacto com a clínica ou marcar uma consulta para avaliação personalizada.
Importância de um plano de tratamento individual
Cada paciente pode apresentar sintomas e queixas diferentes. Por esse motivo, o plano de tratamento deve ser sempre individualizado.
A escolha entre tratamento clínico com fármacos ou injeções, cirurgia ou terapias complementares depende da avaliação do urologista, bem como das necessidades e expectativas do paciente. Sendo assim, a decisão deve ser discutida em conjunto, permitindo definir a abordagem mais adequada para cada doente.