O tratamento de cancro da próstata em idosos pode ser realizado com vigilância ativa, terapêutica hormonal, radioterapia, quimioterapia ou cirurgia, de acordo com o estádio da doença, o estado geral de saúde e as preferências do doente.
O cancro da próstata é uma doença frequente na população masculina, sobretudo com o avançar da idade. Quando diagnosticado em fases iniciais, pode ter melhor prognóstico e maior possibilidade de controlo, dependendo das características do tumor, do estado geral de saúde e da abordagem terapêutica indicada.
O que é o cancro da próstata?
O cancro da próstata é um tumor maligno que se desenvolve na próstata, glândula responsável pela produção de parte do líquido seminal no sistema reprodutor masculino.
Esta doença ocorre quando as células da próstata sofrem alterações genéticas que levam a um crescimento anormal e descontrolado. Com a evolução da doença, podem formar-se tumores que, em alguns casos, podem disseminar-se para outras partes do corpo, como os ossos e os gânglios linfáticos.
De acordo com estatísticas oficiais nacionais fornecidas ao Eurostat e à OCDE, o cancro da próstata é o tipo de cancro mais incidente entre os homens em Portugal.
O diagnóstico pode envolver exames como o PSA, avaliação clínica, toque retal, exames de imagem e biópsia da próstata. O tratamento varia conforme o estádio da doença, a idade, o estado geral de saúde e as prioridades do doente.

Fatores de risco do cancro da próstata
O avanço da idade é um dos principais fatores de risco para o cancro da próstata. A probabilidade de diagnóstico aumenta com o envelhecimento, pelo que a avaliação individualizada da próstata pode assumir maior relevância nas fases mais avançadas da vida.
Outro fator relevante é o histórico familiar. Indivíduos com pai, irmão ou outros familiares próximos diagnosticados com cancro da próstata antes dos 60 anos de idade devem discutir o seu risco individual com um médico.
Além disso, o excesso de peso, a obesidade e determinadas mutações em genes podem estar associados a maior risco de desenvolvimento ou progressão da doença.
Sintomas do cancro de próstata
Nos estádios iniciais, o cancro da próstata pode ser assintomático, pois a doença desenvolve-se de forma lenta. Alguns casos podem evoluir sem sinais evidentes durante anos, sendo identificados apenas em avaliações médicas.
Quando surgem sintomas, estes podem incluir:
- Dificuldade em urinar;
- Jato urinário fraco ou interrompido;
- Necessidade frequente de urinar, especialmente durante a noite;
- Sensação de bexiga não totalmente esvaziada;
- Dor ou ardor ao urinar;
- Sangue na urina ou no sémen;
- Dor na região lombar, ancas ou coxas;
- Disfunção erétil;
- Dor durante a ejaculação;
- Perda de peso inexplicada;
- Fadiga.
Estes sintomas também podem estar associados a outras condições benignas da próstata. Por isso, a avaliação por um médico é essencial para esclarecer a causa.
Como o diagnóstico é feito
Em primeiro lugar, é importante distinguir o cancro da próstata da hiperplasia benigna da próstata (HBP). A HBP é uma condição benigna, frequente com o envelhecimento, na qual a próstata também aumenta de volume.
Os exames solicitados pelo urologista são:
- PSA: análise ao sangue que mede os níveis do antigénio específico da próstata. Valores elevados podem estar associados a cancro, mas também a condições benignas;
- Toque retal: exame clínico que permite avaliar alterações no tamanho, consistência ou forma da glândula.
Quando existem alterações suspeitas, podem ser necessários exames complementares, como ressonância magnética e biópsia prostática, para confirmar ou excluir o diagnóstico.
Estadiamento do cancro
Quando o diagnóstico de cancro da próstata é confirmado, o passo seguinte é avaliar o estádio da doença. O estadiamento tumoral permite perceber se o quadro está limitado à próstata ou se existe disseminação para outras regiões do corpo.
Para isso, podem ser realizados exames como ressonância magnética, tomografia computorizada, cintigrafia óssea ou outros exames indicados pelo médico.
O prognóstico varia consoante o estádio da doença, as características do tumor e as condições individuais do doente. Esta avaliação é fundamental para definir o tratamento para cancro da próstata em idosos.
Rastreio do cancro da próstata em pessoas idosas
O rastreio do cancro da próstata não é recomendado para todos os homens. Está indicado mediante a presença de sintomas urinários, antecedentes familiares ou alterações anteriores nos resultados dos exames, sobretudo entre os 50 e os 75 anos.
A decisão de realizar rastreio deve ser partilhada entre médico e doente. Em pessoas mais idosas ou com outras doenças, o exame pode detetar alterações pequenas e de crescimento lento, que nunca chegariam a afetar a saúde da pessoa. Nesses casos, o resultado pode levar a preocupação desnecessária.
Quais são as opções de tratamento para o cancro da próstata em pessoas idosas?
A escolha do tratamento para o cancro da próstata em idosos depende de vários fatores: estádio da doença, agressividade do tumor, presença de outras doenças, bem-estar do doente e expectativa de vida.
Em alguns casos, o objetivo pode ser tratar a doença de forma ativa. Noutros, pode ser mais adequado privilegiar o controlo clínico, o alívio de sintomas e a preservação da qualidade de vida, sempre de acordo com a avaliação médica individual.
O urologista pode recomendar uma única abordagem ou combinar diferentes tratamentos para o cancro da próstata em pessoas idosas.
1. Vigilância ativa
Quando o tumor é considerado de baixo risco, ou quando o estado geral do doente justifica uma abordagem menos invasiva, a vigilância ativa pode ser uma opção, mantendo a possibilidade de tratamento se houver sinais de progressão.
Nesta estratégia, o doente é acompanhado periodicamente com exames, análises e consultas, permitindo observar a evolução da doença sem necessidade de intervenção terapêutica imediata.
2. Cirurgia para o cancro da próstata
A prostatectomia radical é uma das opções cirúrgicas para o cancro da próstata, especialmente quando a doença está localizada e o doente apresenta condições clínicas para o procedimento.
A cirurgia consiste na remoção da próstata e de estruturas próximas.
Em pessoas idosas, esta decisão exige uma avaliação cuidadosa. Por se tratar de uma cirurgia, é necessário considerar o risco anestésico, doenças associadas, recuperação funcional e impacto na qualidade de vida.
A radioterapia e a quimioterapia podem fazer parte do tratamento do cancro da próstata, mas têm indicações diferentes.
A radioterapia utiliza radiação de alta energia para atuar sobre as células malignas. Pode ser indicada como tratamento principal em alguns casos, após cirurgia ou em situações em que a cirurgia não é a melhor opção.
Na quimioterapia, são utilizados medicamentos que atuam sobre células cancerígenas em várias regiões do corpo. Esta abordagem pode ser considerada em fases mais avançadas da doença ou quando existem critérios clínicos específicos.
4. Terapia hormonal
Muitos tumores da próstata dependem da testosterona para crescer. A terapia hormonal tem como objetivo reduzir ou bloquear a ação desta hormona, ajudando a controlar a progressão da doença.
Este tratamento pode ser realizado com medicamentos ou, em alguns casos, por cirurgia chamada orquiectomia, que remove os testículos.
A terapia hormonal não é necessariamente curativa, mas pode contribuir para retardar a progressão da doença, podendo também ser combinada com radioterapia ou outras abordagens.
Entre os possíveis efeitos secundários estão disfunção erétil, alterações de humor, aumento de peso, afrontamentos, perda de massa muscular e alterações metabólicas.
5. Imunoterapia
A imunoterapia pode ser considerada em situações específicas na oncologia, geralmente em doença mais avançada ou quando existem critérios clínicos que justifiquem esta abordagem.
Esta terapêutica procura estimular o sistema imunitário para reconhecer e combater células malignas. No entanto, a resposta pode variar.
Os possíveis efeitos secundários incluem fadiga, alterações da tiroide e reações autoimunes.
Como é escolhido o tratamento mais adequado?
A escolha do tratamento para o cancro da próstata em idosos deve ser individualizada e discutida entre médico e doente.
A decisão considera vários fatores, como:
- Estádio e agressividade da doença;
- Idade do doente;
- Presença de outras condições de saúde;
- Autonomia e fragilidade do doente;
- riscos e benefícios de cada tratamento;
- Impacto na função urinária, sexual e intestinal;
- Preferências do doente.
Quando existem outras condições de saúde importantes, pode ser necessário evitar tratamentos mais agressivos. Em pessoas com doença de baixo risco ou idade muito avançada, estratégias menos invasivas, como vigilância ativa, podem ser mais adequadas.
O objetivo é definir, em conjunto com o doente, um equilíbrio adequado entre o controlo do cancro da próstata, a segurança clínica da abordagem escolhida e a preservação da qualidade de vida.
Ouvir o doente, compreender as suas prioridades e explicar de forma clara os possíveis efeitos de cada abordagem são etapas essenciais para uma decisão terapêutica mais segura e humanizada.
O cancro da próstata em pessoas idosas é tratável?
É possível realizar um tratamento para cancro da próstata em idosos, mas a abordagem depende das características da doença e da condição clínica de cada pessoa.
Quando identificado em fases iniciais, pode haver maior possibilidade de controlo clínico, dependendo das características do tumor e da condição geral do doente. Em fases mais avançadas, também podem existir opções destinadas a controlar a doença, aliviar sintomas e contribuir para a preservação da qualidade de vida.
A escolha do tratamento deve ser feita com o apoio de um médico urologista, que irá avaliar o caso de forma individualizada e oferecer informação clara, escuta e empatia, ajudando o doente a atravessar esta fase com mais tranquilidade. Agende sua consulta em nossa clínica!