A cirurgia para a Doença de Peyronie pode ser realizada através da redução do lado mais longo ou do alongamento do lado mais curto do pénis, dependendo do grau e do tipo de curvatura.
A cirurgia para a Doença de Peyronie está indicada quando a curvatura interfere com a função peniana. Nesta fase, a alteração anatómica pode causar dor durante a ereção, além de dificultar ou comprometer a relação sexual e predispor para disfunção erétil.
O procedimento cirúrgico pode ser realizado através do encurtamento do lado mais longo ou, em alternativa, através do alongamento do lado mais curto. Estas são técnicas atualmente utilizadas na correção cirúrgica, cuja indicação depende das características clínicas de cada doente.
De seguida, conheça as características de cada uma destas técnicas para o tratamento de Peyronie.
O que é curvatura peniana?
A curvatura peniana ocorre quando o pénis apresenta um desvio que ultrapassa o que é considerado aceitável na inclinação do órgão masculino.
Esta alteração anatómica pode ter duas causas principais: a Doença de Peyronie ou a curvatura congénita do pénis.
No caso da Doença de Peyronie, a curvatura surge após microtraumatismos no pénis, geralmente durante as relações sexuais, prática desportiva ou até quedas ao longo da vida. Estes traumatismos podem levar à formação de placas fibrosas (cicatrizes internas) na túnica albugínea (membrana que envolve e protege os corpos cavernosos).
Com a formação destas placas, a túnica albugínea perde elasticidade, o que impede a expansão uniforme do pénis durante a ereção. Como consequência, surge uma curvatura que pode ser para cima, para baixo ou lateral.
Já na curvatura congénita do pénis, a causa está relacionada com o desenvolvimento do órgão durante a gestação. Neste caso, a deformidade torna-se mais evidente durante a puberdade, quando os rapazes começam a ter ereções mais frequentes.
Quando a cirurgia para Peyronie é recomendada?
Existem dois principais critérios para a indicação de tratamento cirúrgico para a curvatura peniana.
- Quando o doente não apresenta resultados satisfatórios com tratamento médico, como medicação oral e injeções aplicadas diretamente no pénis, ou com abordagens complementares, como a terapia por ondas de choque ou tração peniana;
- Quando as fibroses penianas dificultam ou impedem a relação sexual com penetração, seja devido ao desvio em si ou à disfunção erétil associada.
Tipos de cirurgia para Doença de Peyronie
As cirurgias para correção da curvatura peniana dividem-se, de forma geral, em dois grandes grupos: técnicas que encurtam o lado mais longo e técnicas que alongam o lado mais curto.
Técnicas que encurtam o lado mais longo
- Técnica de Nesbit: Consiste na remoção de uma porção do lado mais longo do pénis, na sequência, se faz uma plicatura, permitindo igualar os dois lados e, assim, corrigir a curvatura.
- Técnica de Kelami-Nesbit: É uma variação da técnica anterior, na qual o cirurgião utiliza instrumentos específicos para determinar com maior precisão o local e a quantidade de tecido a remover e a plicar.
- Técnica dos 16 pontos de Lue: Baseia-se na realização de plicaturas (dobras) paralelas no tecido peniano, com o objetivo de ajustar e equilibrar o comprimento dos dois lados. Só que nesse caso, se faz 16 pontos de remoção e plicarura.
- Corporoplastia modificada de Yachia: Envolve uma incisão longitudinal com encerramento transversal, permitindo a equalização dos lados e a correção da curvatura.
- Técnica de plicatura de Essed-Schroeder: Indicada sobretudo em curvaturas ventrais (voltadas para baixo), esta técnica visa reduzir o risco de desvios laterais adicionais. Nela, o cirurgião realiza quatro plicaturas no lado oposto ao ponto de maior curvatura, com o objetivo de alinhar o pénis.
- Técnica STAGE de Egydio: Trata-se de uma evolução do método descrito por Nesbit em 1965. A técnica baseia-se na aplicação de princípios geométricos para determinar com rigor os pontos exatos de incisão ou resseção do tecido, permitindo uma correção mais personalizada da curvatura.
Técnicas que alongam o lado mais curto
- Técnica Devine-Horton: Consiste na remoção da área com fibrose (placa), seguida da colocação de um enxerto dérmico para reconstruir a região afetada e promover o alongamento do lado encurtado.
- Incisão em I Paralela de Sampaio: Baseia-se na realização de uma incisão longitudinal (em forma de I) com o objetivo de expandir e alongar o tecido, sem necessidade de remover tecido ou utilizar enxertos.
- Incisões de Relaxamento de Gelbard: Envolve múltiplas incisões de relaxamento na túnica albugínea, permitindo a expansão do tecido e, em casos selecionados, a colocação de prótese peniana em situações de maior complexidade.
- Técnica em H de Lue: Promove a expansão do tecido peniano através de uma incisão em forma de H, permitindo maior elasticidade e correção da curvatura.
- Princípios Geométricos de Egydio: O cirurgião realiza a incisão com base em cálculos geométricos rigorosos, de forma a permitir uma expansão simétrica e controlada dos tecidos.
- Técnica Sansalone-Egydio: Também fundamentada em princípios geométricos, esta técnica visa incisões precisas para otimizar a correção da curvatura.
- Modelo Geométrico de Miranda: Utiliza os princípios geométricos descritos por Dr. Paulo Egydio, associados a planeamento computorizado, com o objetivo de aumentar a precisão cirúrgica.
- Estratégia de Alongamento de Gaffney: Reúne diferentes tipos de incisões destinadas a promover o alongamento do tecido peniano, procurando simultaneamente preservar estruturas nobres como os nervos e a uretra.
- Método Geométrico sem Enxerto de Egydio: Técnica que visa expandir os tecidos fibrosados e recuperar a flexibilidade, podendo viabilizar a colocação de prótese peniana nos casos de Doença de Peyronie associada a disfunção erétil.
Quanto custa a cirurgia?
Não é possível antecipar o valor da cirurgia para a Doença de Peyronie. Isso porque, os honorários médicos são definidos após avaliação clínica individual, em conformidade com o Código Deontológico da Ordem dos Médicos. Afinal, o custo total depende da complexidade do caso, da técnica utilizada e da eventual necessidade de procedimentos complementares.
Importa ainda considerar que este tratamento cirúrgico pode implicar a colocação de uma prótese peniana, cujo valor pode variar entre 1.200 € e 9.000 € (valores aproximados e sujeitos a variações). Além disso, acrescem os custos hospitalares e de internamento, entre outros encargos associados ao bloco operatório e à anestesia.
O que acontece no dia da cirurgia?
No dia da cirurgia, o hospital admite o homem para o procedimento. É recomendável que o doente esteja acompanhado.
Antes do procedimento, o médico revê todos os detalhes da intervenção cirúrgica, esclarece eventuais dúvidas e inicia os preparativos pré-operatórios. Trata-se da tricotomia da zona púbica, realizada pela equipa de saúde no bloco operatório.
A cirurgia tem, em média, uma duração de 2 a 3 horas. Caso o cirurgião confirme que o doente se encontra clinicamente estável, a alta poderá ocorrer no próprio dia, com regresso ao domicílio.
Além disso, ao longo dos dias e semanas seguintes, o doente deverá cumprir as orientações médicas. A recuperação completa pode demorar cerca de dois meses, variando de acordo com a resposta individual do organismo.
Por dentro da Técnica Egydio
Os princípios geométricos descritos por Egydio representam uma das abordagens utilizadas na correção da curvatura peniana, com o objetivo de alinhar o órgão e preservar o comprimento dentro dos limites anatómicos.
Nesta técnica, o cirurgião realiza pequenas incisões geométricas e controladas no lado oposto à curvatura (lado curto), com o objetivo de libertar a área enrijecida e promover o alinhamento do pénis.
O tecido afetado pela fibrose é, assim, expandido de forma estratégica e reconstruído, com vista à otimização das dimensões penianas. O médico realiza todo o procedimento de acordo com as características e limitações clínicas de cada caso.
Como fica após a cirurgia da Doença de Peyronie
O período de convalescença após a cirurgia varia consoante a técnica utilizada. Além disso, também se considera a resposta individual de cada doente, podendo situar-se entre 7 e 14 dias na fase inicial. Durante este período, é expectável a presença de algum edema, equimoses e desconforto local, que tendem a regredir progressivamente.
A recuperação completa da cirurgia da Doença de Peyronie pode demorar entre 45 e 60 dias. Após esse período, o médico poderá autorizar o doente a retomar a atividade sexual.
O que acontece se não tratar a Doença de Peyronie?
Se a Doença de Peyronie não for tratada adequadamente, a curvatura pode tornar as ereções dolorosas. Em alguns casos, dificultar ou mesmo impedir a obtenção e manutenção de uma ereção suficiente para a relação sexual.