A Doença de Peyronie pode provocar alterações estruturais que contribuem para o encurtamento do pénis. Conheça os fatores que influenciam esta evolução e saiba quando deve procurar uma avaliação especializada.
O encurtamento peniano na Doença de Peyronie é uma das alterações que mais preocupa os doentes. A perda de comprimento pode afetar a autoestima e a confiança na vida sexual.
Nem todos os casos evoluem da mesma forma. Além da curvatura, alguns doentes podem apresentar perda de comprimento, estreitamento, deformidade em ampulheta ou disfunção eréctil. Estas alterações podem surgir isoladamente ou em conjunto e variar ao longo da evolução da doença.
Por isso, uma avaliação clínica individualizada pode ajudar a caracterizar a anatomia peniana, a fase da Doença de Peyronie, as deformidades existentes e a sua evolução, contribuindo para a discussão das opções de acompanhamento ou tratamento no contexto de cada caso.
Porque ocorre o encurtamento do pénis na Doença de Peyronie?
A Doença de Peyronie está associada à formação de tecido cicatricial e fibrose na túnica albugínea, uma camada que envolve os corpos cavernosos.
Quando se forma uma placa fibrótica, a área afetada perde elasticidade e pode não se expandir da mesma forma que o restante tecido durante a ereção. Esta assimetria pode provocar curvatura peniana e contribuir para a perda de comprimento do pénis em ereção.
Por isso, o encurtamento do pénis deve ser apreciado em conjunto com outras alterações. A localização e a extensão da fibrose, o grau de curvatura, o comprimento peniano e a presença de indentação ou deformidade em ampulheta são factores relevantes para a avaliação clínica e podem contribuir para a discussão das opções de acompanhamento ou tratamento.
Quais os fatores que podem acelerar a progressão da doença?
Não existe um único fator que determine, por si só, a progressão da Doença de Peyronie.
Na fase ativa da doença, a curvatura e outras deformidades podem modificar-se ao longo do tempo. A dor peniana é também mais comum nesta fase.
Como identificar que a doença está a evoluir?
O agravamento da curvatura é um dos sinais possíveis, mas não é o único. Outros sinais de progressão incluem:
- aumento do grau da curvatura;
- alteração da direção da curvatura;
- perda de comprimento do pénis;
- aparecimento de estreitamento ou indentação;
- alterações da função eréctil;
- dificuldade ou desconforto durante a actividade sexual.
Estas alterações devem ser avaliadas com o pénis erecto, quando as deformidades são mais evidentes.
A comparação de fotografias padronizadas e medições da erecção pode ajudar a acompanhar alterações ao longo do tempo, mas deve ser realizada de acordo com a orientação médica.
A avaliação clínica pode incluir a análise da placa fibrótica, do comprimento peniano e das características da deformidade.
Em casos selecionados, especialmente quando existe disfunção eréctil ou está a ser considerada uma intervenção cirúrgica, o eco-Doppler peniano pode fornecer informações complementares.
É possível reduzir o risco de encurtamento peniano?
O acompanhamento especializado desde os primeiros sinais pode ajudar a avaliar a evolução da Doença de Peyronie e a identificar alterações como curvatura, estreitamento ou perda de comprimento.
No entanto, não é possível garantir que o encurtamento peniano será evitado, uma vez que a evolução da doença varia de acordo com cada caso.
O acompanhamento pode ter como objectivos monitorizar os sintomas, acompanhar a evolução das deformidades e discutir, em cada fase da doença, as opções terapêuticas que possam ser adequadas ao contexto clínico do doente.
Em alguns doentes, dispositivos de tração peniana ou bombas de vácuo podem ser utilizados como parte da abordagem terapêutica. Os resultados variam e não é possível garantir um determinado ganho ou preservação de comprimento.
Quando a cirurgia pode ser considerada?
A cirurgia pode ser considerada quando a Doença de Peyronie se encontra estável e a deformidade tem um impacto significativo na função sexual ou na qualidade de vida. A decisão depende sempre da avaliação individualizada.
Entre os fatores que podem ser considerados estão:
- curvatura acentuada;
- perda significativa de comprimento;
- estreitamento ou indentação do pénis;
- deformidades complexas;
- dificuldade nas relações sexuais;
- disfunção eréctil associada.
Em casos mais complexos, podem ser consideradas técnicas de reconstrução peniana, como a Técnica de Egydio, de acordo com as características da deformidade e da função eréctil.
Mesmo após uma cirurgia reconstrutiva, não é possível garantir a recuperação exata do comprimento anterior à Doença de Peyronie.
Os resultados podem variar em função da anatomia, da extensão da fibrose, do grau de deformidade e da função eréctil. A intervenção pode procurar melhorar determinados aspectos da deformidade ou da função peniana, conforme as características de cada caso, sem assegurar uma correção completa ou uma recuperação funcional específica.
Conhecer a evolução da doença na discussão das opções de tratamento
O encurtamento peniano resulta de alterações estruturais que podem variar entre os doentes. A fase da doença, a evolução da fibrose e o tipo de deformidade ajudam a orientar a avaliação, mas não permitem prever com exatidão como cada caso irá evoluir.
Por isso, a análise individual da anatomia, da função eréctil e do impacto da deformidade na vida sexual pode contribuir para discutir as opções de acompanhamento ou tratamento de acordo com o contexto clínico e as preferências informadas do doente.
Se notar perda de comprimento, agravamento da curvatura ou outras alterações no pénis, procure uma avaliação especializada.
O diagnóstico e o acompanhamento clínico podem contribuir para apreciar a fase da Doença de Peyronie e para discutir as opções de tratamento de acordo com as características e a evolução de cada caso.
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