A cirurgia da Doença de Peyronie é considerada quando existe curvatura peniana estabilizada, permitindo avaliar com maior precisão as características da deformidade e selecionar a abordagem mais adequada.
Esperar pela estabilização da curvatura peniana pode ser um período de grande ansiedade. É natural, por isso, que uma das primeiras perguntas seja: “Quando poderei ser operado?”. Essa é uma resposta complexa, que não depende apenas do número de meses desde o início dos sintomas.
A Doença de Peyronie pode evoluir de forma diferente em cada homem, e nem todos atingem a estabilidade no mesmo período.
Atingir a estabilidade da Doença de Peyronie é um marco importante para potencialmente reduzir incertezas e tomar decisões de forma mais informada. Uma avaliação individualizada pode ajudar a perceber se existe indicação cirúrgica e qual o melhor momento para a intervenção.
O que significa a Doença de Peyronie estar estável?
A fase estável da Doença de Peyronie ocorre quando a progressão da curvatura peniana cessa.
A Doença de Peyronie habitualmente apresenta duas fases:
- Fase ativa ou inflamatória: nessa fase, ocorrem o surgimento da curvatura e alterações progressivas da deformidade. O doente também apresenta dor durante a erecção.
- Fase estável ou crónica: verifica-se uma ausência de progressão clínica. As deformidades permanecem semelhantes durante determinado período.
A estabilização clínica significa que existe uma deformidade estável, associada a uma placa fibrótica formada por tecido cicatricial na túnica albugínea.
Como saber se a curvatura deixou de progredir?
A confirmação da estabilidade da Doença de Peyronie requer acompanhamento clínico. O médico compara as alterações observadas ao longo do tempo e avalia se ocorreu agravamento das deformidades.
A investigação pode incluir:
- História clínica, com registo do início e da evolução dos sintomas;
- Exame físico, para identificar a localização e as características da placa;
- Documentação fotográfica da erecção, quando apropriada;
- Ecografia peniana com Doppler, caso seja necessário avaliar a placa, a calcificação ou a circulação.
Por que é importante aguardar pela estabilidade antes da cirurgia?
Durante a fase ativa, as alterações estruturais ainda podem evoluir. Se uma intervenção for planeada antes de se conhecer a configuração mais estável da deformidade, a curvatura pode potencialmente sofrer novas alterações posteriormente.
Ao aguardar pela estabilidade, o cirurgião pode avaliar melhor as características da deformidade e da placa fibrótica, bem como o respetivo impacto na função eréctil.
Com base nessa avaliação, pode ser possível selecionar a técnica cirúrgica mais adequada e apresentar ao doente expectativas realistas relativamente ao procedimento, aos seus objetivos e aos resultados possíveis.
Quais são os critérios utilizados para indicar cirurgia?
As orientações europeias recomendam, de forma geral, que a cirurgia seja considerada perante doença estável, deformidade significativa e dificuldade nas relações sexuais.
A indicação cirúrgica resulta da análise conjunta de vários fatores:
- Estabilidade da doença: é importante confirmar que a curvatura e as restantes deformidades deixaram de progredir ou estabilizaram.
- Impacto funcional: avalia-se se a deformidade dificulta ou impede a penetração e interfere com a vida sexual do doente.
- Grau e tipo de deformidade: são considerados a curvatura, o estreitamento, o encurtamento e outras alterações do pénis.
- Função eréctil: é necessário perceber se a erecção apresenta rigidez suficiente e se existe disfunção eréctil associada.
- Ausência de resposta aos tratamentos anteriores: a cirurgia pode ser ponderada quando as abordagens conservadoras não proporcionam o resultado esperado.
- Características anatómicas: o comprimento peniano, a localização da placa e a complexidade da deformidade ajudam a definir a técnica mais adequada.
O tempo de evolução é suficiente para decidir?
O tempo é apenas um dos elementos considerados. Alguns doentes atingem estabilidade mais cedo, enquanto outros apresentam mudanças durante um período mais prolongado.
Por isso, a estabilidade da curvatura deve estar documentada durante alguns meses.
Segundo a Associação Europeia de Urologia, a cirurgia deve ser considerada quando a condição estiver clinicamente estável durante, pelo menos, três a seis meses, o que ocorre habitualmente após terem decorrido mais de nove a doze meses desde o início dos sintomas.
Estes períodos servem como referência, mas não substituem a avaliação individual de cada doente. Assim, determinar quando operar a Doença de Peyronie depende mais da confirmação clínica da estabilidade e do impacto da deformidade do que de um período fixo de tempo.
O que acontece depois de confirmada a estabilidade?
Quando existe limitação funcional, podem ser discutidas alternativas cirúrgicas, como a reconstrução peniana com a colocação de uma prótese peniana.
Nesta cirurgia, são realizadas incisões na túnica albugínea para potencialmente expandir as áreas encurtadas pela fibrose, corrigir a curvatura e potencialmente recuperar as proporções do pénis. Em seguida, a prótese é colocada no interior dos corpos cavernosos, fornecendo a rigidez necessária para a atividade sexual.
A recuperação do doente varia conforme a complexidade do procedimento e as condições clínicas individuais.
A decisão cirúrgica deve respeitar a evolução do doente
Na Doença de Peyronie, confirmar a estabilidade clínica da deformidade é importante para avaliar se existe indicação para cirurgia e qual a abordagem mais adequada. No entanto, a decisão não deve basear-se apenas no tempo, pois cada caso evolui de forma diferente.
Após confirmar a estabilização da curvatura peniana através de uma avaliação clínica, o urologista deve compreender as prioridades do doente, definir os objetivos do tratamento e selecionar a opção terapêutica mais adequada.
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