Saiba qual é o melhor tratamento para Doença de Peyronie

Homem em ambiente clínico e médico explicando sobre o melhor tratamento para doença de peyronie de forma personalizada

Saiba qual é o melhor tratamento para Doença de Peyronie

Homem em ambiente clínico e médico explicando sobre o melhor tratamento para doença de peyronie de forma personalizada
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O tratamento mais adequado para a Doença de Peyronie depende das características clínicas do doente e dos objetivos terapêuticos definidos após uma avaliação especializada.

Não existe uma abordagem única para o tratamento da Doença de Peyronie. Dois doentes com graus de curvatura semelhantes, por exemplo, podem necessitar de estratégias diferentes, dependendo da forma como a condição interfere com a qualidade de vida sexual.

Por essa razão, antes de decidir como tratar a Doença de Peyronie, é fundamental realizar uma avaliação urológica, que terá em consideração a fase da doença, o grau e tipo de deformidade, a presença de dor e a qualidade da erecção, entre outros fatores clínicos, para orientar a escolha da abordagem mais adequada — desde o acompanhamento e os tratamentos não cirúrgicos até à cirurgia, em casos selecionados.

Como é escolhido o tratamento para a Doença de Peyronie?

Cabe ao urologista avaliar as características do caso e discutir, com base nos achados clínicos, na evidência disponível e na experiência profissional, as opções de tratamento que podem ser consideradas adequadas para o doente.

Para definir a estratégia terapêutica, o urologista considera:

  • Fase da doença e evolução da deformidade;
  • Presença de dor durante a erecção;
  • Grau, a direção e o tipo de curvatura;
  • Presença de outras deformidades, como estreitamento ou redução de comprimento peniano;
  • Qualidade da erecção e a presença de disfunção eréctil;
  • Dificuldade ou impossibilidade de penetração;
  • Impacto da doença na atividade sexual;
  • Expectativas e objetivos do doente.

A indicação terapêutica parte de uma avaliação médica individualizada, mas a decisão final é partilhada com o doente.

Depois de receber a recomendação mais adequada ao caso, o doente é informado sobre os benefícios, as limitações, os riscos e os resultados esperados de cada possibilidade.

É necessário tratar todos os casos de Doença de Peyronie?

O diagnóstico de Doença de Peyronie não significa, por si só, que seja necessária uma intervenção.

Em casos ligeiros, sobretudo quando a deformidade peniana não compromete de forma relevante a atividade sexual e não existe disfunção eréctil associada, o acompanhamento clínico pode ser uma das abordagens consideradas.

Por outro lado, quando a curvatura é mais acentuada e existe deformidade complexa ou disfunção eréctil associada, podem ser necessárias outras estratégias terapêuticas, como tratamentos não cirúrgicos ou cirurgia, conforme a avaliação do urologista.

Qual é o tratamento na fase inicial da Doença de Peyronie?

A prioridade do tratamento de Peyronie na fase aguda costuma ser acompanhar a evolução da doença, controlar a dor peniana e avaliar alterações da deformidade. Quando existe disfunção eréctil associada, esta também deve ser investigada e tratada.

Nesta fase, são consideradas abordagens não cirúrgicas, como medicamentos para dor e para a função eréctil, como Sildenafil e Tadalafil, além de tratamentos complementares, como a bomba de vácuo e terapia de tração peniana para Peyronie, quando indicados. 

Quando a cirurgia pode ser o tratamento mais adequado?

Quando a deformidade se encontra estabilizada e existe impacto funcional relevante, a cirurgia peniana pode ser considerada uma opção de tratamento, desde que a avaliação clínica confirme a sua indicação e o doente seja informado sobre as alternativas, limitações e riscos envolvidos.

Importa salientar que a indicação cirúrgica não é adequada para todos os homens, mesmo entre aqueles que apresentam estas características.

O urologista precisa de avaliar aspetos que influenciam diretamente o planeamento do procedimento, como:

  • As características e a complexidade das deformidades apresentadas;
  • As características da placa fibrótica;
  • A presença de alterações vasculares que possam comprometer a qualidade da erecção;
  • A capacidade de obter e manter rigidez suficiente para a atividade sexual;
  • A resposta a tratamentos anteriormente realizados;
  • A necessidade de realizar o tratamento da disfunção eréctil associada à Peyronie.

A partir desta análise, o médico pode avaliar se existe indicação de cirurgia para a Doença de Peyronie e discutir com o doente qual abordagem poderá ser considerada, tendo em conta os seus objetivos, as alternativas disponíveis, os riscos e os limites previsíveis do tratamento.

Que tipo de cirurgia pode ser indicada?

De forma geral, as técnicas cirúrgicas podem atuar sobre o lado mais longo ou sobre o lado encurtado do pénis.

Técnicas de encurtamento

As técnicas de encurtamento, como a plicatura e as suas variantes, visam corrigir a curvatura através de uma intervenção no lado mais longo do pénis, procurando equilibrá-lo com o lado encurtado pela doença.

Contudo, estas técnicas podem resultar numa redução adicional do comprimento peniano.

Por esse motivo, o possível encurtamento deve ser discutido com o doente e considerado durante o planeamento cirúrgico, sobretudo quando já existe perda de comprimento provocada pela própria Peyronie.

Técnicas de alongamento ou expansão tecidular

Estas abordagens atuam sobre o lado encurtado, procurando expandir os tecidos afetados pela fibrose peniana e recuperar comprimento nessa região, com o objetivo de corrigir a deformidade e melhorar o alinhamento do pénis.

Dependendo da técnica e das características da deformidade, pode ser necessário recorrer a um enxerto. Em algumas estratégias de cirurgia reconstrutiva, o planeamento pode permitir incisões de menor extensão, sem necessidade de enxerto, quando tal for tecnicamente adequado.

Cirurgia associada a prótese peniana

Quando a Peyronie está associada a disfunção eréctil relevante, a colocação de uma prótese peniana pode fazer parte da estratégia cirúrgica. Nestes casos, o objetivo não é apenas corrigir a deformidade peniana, mas também proporcionar rigidez suficiente para a atividade sexual.

Quando a prótese peniana pode fazer parte do tratamento?

A prótese peniana não é indicada apenas pela presença de Peyronie. Para justificar este tipo de abordagem, deve haver disfunção eréctil associada e refratária a tratamentos clínicos.

Nestes casos, a colocação da prótese tem como objetivo melhorar a rigidez peniana quando clinicamente indicada e pode ser associada a procedimentos destinados a corrigir a curvatura peniana, de acordo com as características do caso.

De acordo com as características anatómicas identificadas durante a avaliação, pode ser considerada a colocação de uma prótese peniana maleável ou insuflável, com o objetivo de proporcionar rigidez suficiente para a atividade sexual, quando clinicamente indicada e após discussão dos benefícios, limitações e riscos.

Como é feita a avaliação antes de escolher o tratamento?

A definição do melhor tratamento para Peyronie começa por uma avaliação urológica detalhada, que pode seguir algumas etapas:

  • Consulta com o urologista: o primeiro passo é procurar um médico com experiência no tratamento da Peyronie.
  • Relato das queixas e da evolução da condição: o doente deve explicar quando percebeu as alterações, se a curvatura se modificou ao longo do tempo, se existe dor e alterações na erecção. Estas informações ajudam o médico a perceber se a doença ainda está em evolução ou se já se encontra na fase estável.
  • Avaliação dos tratamentos anteriores: é importante informar se já foram utilizados outros tratamentos, bem como a resposta obtida. Isto evita repetir estratégias que não tiveram o efeito esperado e ajuda a orientar os próximos passos.
  • Exame físico: o urologista irá avaliar o pénis em estado flácido e em erecção para identificar alterações relacionadas com a placa fibrótica e com a falta de rigidez.
  • Exames de imagem: em casos selecionados, a ecografia peniana com Doppler pode ajudar a estudar a circulação sanguínea e alterações estruturais do pénis. A Associação Americana de Urologia (AUA) recomenda avaliação da deformidade em ereção e considera o exame antes de intervenções invasivas.

O tratamento pode corrigir completamente a Doença de Peyronie?

Não é adequado prometer que uma determinada abordagem irá eliminar a fibrose peniana ou a curvatura do pénis em todos os casos. O resultado esperado depende das particularidades da deformidade apresentada e da abordagem indicada.

Em alguns casos, o tratamento pode ter como objetivo reduzir a dor, melhorar a função eréctil ou tornar a deformidade menos limitante para a atividade sexual.

Quando existe indicação cirúrgica, e dependendo da técnica utilizada, o cirurgião pode procurar corrigir a curvatura e melhorar o alinhamento do pénis, tendo em conta os limites estruturais impostos pela fibrose e pelas características anatómicas de cada doente. A preservação do comprimento deve ser discutida como um objetivo possível, e não como um resultado garantido.

Já nos casos em que existe disfunção eréctil associada, o tratamento deve considerar também a capacidade de obter e manter uma erecção com rigidez suficiente para a atividade sexual. Quando a disfunção é relevante e refratária aos tratamentos clínicos, a colocação de uma prótese peniana pode ser considerada.

Isso não significa, porém, que todos os homens recuperem exatamente o comprimento, a forma ou a função que tinham antes do aparecimento da doença.

Avaliação especializada para Doença de Peyronie

Uma avaliação especializada não deve prometer o melhor tratamento para Doença de Peyronie, mas identificar as alterações anatómicas e os impactos funcionais, bem como esclarecer quais opções terapêuticas são indicadas para aquele doente.

Se apresenta curvatura peniana, dor, alterações na erecção ou dificuldade durante a atividade sexual, uma avaliação especializada pode ajudar a compreender as características da Peyronie e as opções terapêuticas que poderão ser consideradas no seu caso.

A decisão sobre a abordagem a considerar depende da fase da doença, da deformidade, da função eréctil e de outros fatores clínicos avaliados durante a consulta, procurando um resultado funcional adequado dentro dos limites anatómicos de cada doente.