Existem diferentes abordagens cirúrgicas para tratar a curvatura peniana, incluindo técnicas de encurtamento do lado mais longo e técnicas de expansão do lado mais curto. A escolha depende das características clínicas e anatómicas de cada caso.
Nos casos em que a curvatura peniana tem indicação cirúrgica, é necessário ponderar, em consulta, qual a abordagem mais adequada. Entre as técnicas possíveis, podem ser consideradas a plicatura de Nesbit e a técnica geométrica descrita por Egydio, entre outras opções, de acordo com a situação clínica.
Embora ambas tenham como objectivo corrigir a curvatura peniana, tratam-se de abordagens cirúrgicas distintas, com princípios técnicos diferentes. Uma actua por encurtamento do lado mais longo, enquanto a outra procura corrigir a deformidade através da expansão do lado encurtado.
Ambas as técnicas podem ser utilizadas em situações seleccionadas de curvatura peniana, embora apresentem diferenças quanto aos seus objectivos, limitações e possíveis implicações em aspectos como o alinhamento, o comprimento peniano, o conforto e a percepção do resultado.
De seguida, apresenta-se uma explicação geral sobre estas abordagens, com enquadramento técnico e clínico.
O que é a plicatura de Nesbit e como funciona
A plicatura de Nesbit é uma cirurgia criada em 1965 que corrige a curvatura peniana encurtando o lado longo do pénis através de suturas na túnica albugínea (plicaturas).
A técnica é indicada sobretudo em homens com boa função eréctil, sem perda significativa de comprimento peniano e com curvaturas simples.
Por se tratar de uma técnica de encurtamento, a cirurgia de Nesbit pode associar-se a diminuição do comprimento peniano, aspecto que deve ser discutido previamente com o doente no contexto da decisão terapêutica.
O mecanismo: encurtar para rectificar
Na técnica de Nesbit, o cirurgião iguala os dois lados do pénis encurtando o lado oposto à curvatura (ou seja, o lado longo). Isso é feito através de plicaturas, que são dobras na túnica albugínea. As dobras são fixadas com suturas.
Esta abordagem procura melhorar o alinhamento peniano através do encurtamento do lado mais comprido, podendo associar-se a redução do comprimento peniano.
Para que casos é indicada
A plicatura é uma das primeiras técnicas para tratar a curvatura peniana e, portanto, um procedimento mais tradicional, indicado para quadros menos complexos.
A técnica pode ser uma opção adequada para casos simples, quando existe:
- Curvatura isolada;
- Curvatura num só plano;
- Erecção suficientemente rígida para a relação sexual;
- Amplo comprimento peniano para evitar encurtamento demasiado.
Vantagens reconhecidas da plicatura de Nesbit
A plicatura é uma técnica menos complexa do ponto de vista reconstrutivo. Em termos gerais, pode associar-se a menor manipulação de algumas estruturas anatómicas, embora os riscos e limitações devam ser avaliados individualmente em cada caso.
Limitações que o doente precisa de conhecer
Uma das principais limitações da plicatura é a possibilidade de encurtamento peniano. Por esse motivo, a sua indicação deve ser cuidadosamente ponderada quando já existe perda de comprimento relevante.
Além disso, a técnica pode revelar limitações em casos mais complexos, como os que apresentam perda de volume, indentações ou deformidades em ampulheta.
O que é a Técnica Egydio e como funciona
A técnica descrita por Egydio é uma abordagem cirúrgica utilizada na correcção da curvatura peniana através da expansão do lado encurtado, com recurso a incisões planeadas na túnica albugínea. Em determinados casos, pode também ser considerada na presença de alterações de calibre.
Esta técnica é uma estratégia reconstrutiva e é indicada em homens com curvaturas mais complexas, deformidades associadas, como afinamento, ampulheta ou múltiplos planos, e também em casos em que a preservação do comprimento peniano é uma prioridade.
O mecanismo: expandir para rectificar
A Técnica Egydio baseia-se num princípio técnico diferente da plicatura de Nesbit. Em vez de encurtar o lado mais comprido, actua sobre a zona retraída responsável pela deformidade.
Para esse efeito, são realizadas incisões planeadas na túnica albugínea, com o objectivo de expandir o segmento retraído e permitir a correcção da deformidade, incluindo, em determinados casos, zonas de afinamento.
Todo o procedimento é feito sem necessidade de enxertos nem de suturas permanentes.
O princípio geométrico que muda tudo
A principal diferença entre a Técnica Egydio e a plicatura de Nesbit é o cálculo geométrico. A técnica identifica o ponto máximo da curvatura peniana e, a partir da bissetriz, define com precisão onde, quantas e com que extensão devem ser feitas as incisões.
As incisões planeadas têm como objectivo permitir a expansão do segmento retraído, procurando preservar a integridade funcional da túnica albugínea. Em situações com disfunção eréctil associada e indicação para prótese peniana, esta abordagem pode também ser articulada com o planeamento reconstrutivo do caso.
Para que casos é indicada
A técnica descrita por Egydio pode ser considerada em diferentes contextos clínicos de curvatura peniana, de acordo com a avaliação do caso, nomeadamente quando há:
- Curvatura em múltiplos planos;
- Perda de comprimento relevante ou pénis naturalmente mais curto;
- Afinamento em ampulheta ou indentações;
- Disfunção eréctil associada;
- Necessidade de prótese peniana.
Comparação directa: Técnica Egydio vs Plicatura de Nesbit
Embora ambas tenham como objectivo corrigir a curvatura peniana, a Técnica Egydio e a plicatura de Nesbit partem de abordagens cirúrgicas diferentes e levam a resultados distintos.
A comparação entre estas abordagens pode ajudar a compreender algumas diferenças técnicas e clínicas relevantes:

Preservação do comprimento peniano
Para muitos homens, a preservação do comprimento peniano é um dos aspectos mais importantes na decisão cirúrgica. A perda de comprimento pode afectar a autoconfiança, a percepção do próprio corpo e a vida sexual.
Na técnica descrita por Egydio, a intervenção incide sobre o lado encurtado, procurando expandi-lo. Esta abordagem pode, em determinados casos, favorecer a preservação do comprimento peniano dentro dos limites anatómicos de cada doente.
Na plicatura de Nesbit, a correcção é obtida através do encurtamento do lado mais longo, pelo que pode verificar-se redução do comprimento peniano.
Complexidade dos casos tratados
Se o pénis, além de curvo, sofre afinamento, pode perder estabilidade, diâmetro e simetria.
A plicatura pode apresentar limitações nesse tipo de deformidade, por se centrar sobretudo no alinhamento. Em alguns casos, a abordagem geométrica expansiva pode ser considerada na presença de afinamentos, indentações ou deformidades em ampulheta.
Fios e materiais utilizados: um detalhe que faz diferença
Nas plicaturas, são utilizadas suturas permanentes na túnica albugínea, que podem permanecer palpáveis sob a pele e causar desconforto ou dor ao toque. Estes fios são usados para manter a dobra tecidual estável ao longo do tempo.
Na abordagem descrita por Egydio, pode ser possível utilizar fios absorvíveis, consoante a técnica adoptada. Esse aspecto pode ter relevância na experiência pós-operatória de alguns doentes, incluindo no conforto local.
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Quando a plicatura de Nesbit ainda é uma boa opção
A plicatura de Nesbit não deve ser descartada. Em casos bem seleccionados, pode continuar a ser uma boa opção, desde que a indicação resulte de uma avaliação do urologista, de acordo com as particularidades de cada caso.
Perfil ideal para a plicatura
A plicatura de Nesbit pode ser considerada em doentes com curvatura simples, comprimento peniano suficiente, função eréctil preservada e ausência de deformidades associadas. Nesses contextos, pode constituir uma abordagem menos complexa do ponto de vista técnico.
O papel do cirurgião na escolha da técnica
A decisão deve ser tomada com base numa leitura rigorosa e individualizada de cada caso, tendo em conta o grau de deformidade, o compromisso da função eréctil, a perda de comprimento peniano e o impacto da condição na vida íntima.
Compete ao cirurgião ponderar as vantagens e limitações de cada estratégia e propor a abordagem mais ajustada à anatomia, às necessidades clínicas e às expectativas do doente.
O que acontece quando a plicatura não é suficiente
A plicatura de Nesbit pode não ser suficiente por dois motivos principais: porque a deformidade é mais complexa do que a técnica consegue corrigir ou porque, com o tempo, os fios podem ceder, soltar-se ou deixar de sustentar a correcção.
Quando isso acontece, o doente pode ficar com rectificação incompleta, recidiva da curvatura, sensação de encurtamento excessivo ou desconforto por fios e nódulos palpáveis. Ou seja, mesmo quando há melhoria inicial, o resultado pode não se manter de forma satisfatória a longo prazo.
Nestes casos, é importante realizar reavaliação urológica. Dependendo da situação clínica, pode ser necessária cirurgia de revisão com abordagem reconstrutiva, podendo ser equacionada, entre outras opções, a técnica descrita por Egydio.
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O reconhecimento internacional da Técnica Egydio
A técnica descrita por Egydio foi desenvolvida no contexto académico e cirúrgico da correcção da Doença de Peyronie, tendo sido também divulgada na literatura e em contextos científicos internacionais.
Referência em literatura e documentos científicos de urologia
A técnica geométrica é citada na literatura e em documentos de referência usados pelas principais sociedades médicas, como EAU (European Association of Urology), AUA (American Urological Association) e CUA (Canadian Urological Association).
Trata-se de uma técnica descrita em publicações científicas e discutida em contexto urológico, devendo a sua aplicação ser sempre enquadrada pelos critérios clínicos de cada caso.
A experiência acumulada: mais de 7.000 cirurgias
Ao longo dos anos, esta técnica foi utilizada num número elevado de procedimentos, informação que pode contextualizar a experiência acumulada na sua aplicação clínica.
Publicações e congressos internacionais
A Técnica Egydio está presente em 475 publicações nacionais e internacionais na literatura urológica. Entre eles, destaca-se o trabalho publicado no Journal of Sexual Medicine em 2020 sobre a estratégia de expansão tecidual da túnica albugínea sem enxerto.
Além disso, o Dr. Paulo Egydio é convidado para congressos e cursos de urologia em todo o mundo, o que reflecte a relevância da sua experiência e o reconhecimento da técnica entre os pares.
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Encurtar ou expandir: a sua escolha define o resultado
Na prática, a escolha da cirurgia para curvatura peniana não deve ser reduzida a uma oposição entre técnicas. Essa decisão depende das características clínicas do caso e das expectativas do doente.
Quando a deformidade é limitada, a plicatura pode ser uma opção a considerar. Quando existem deformidades mais complexas, como encurtamento, ampulheta, afinamento, múltiplos planos ou antecedentes cirúrgicos relevantes, pode ser necessário ponderar abordagens reconstrutivas mais diferenciadas.
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