O uso de gel para disfunção eréctil depende das causas, das necessidades individuais e do histórico clínico de cada doente. O tratamento sem orientação profissional pode ser inadequado ou potencialmente prejudicial.
Nem todos os géis têm a mesma composição, o mesmo mecanismo de ação ou a mesma indicação. Além disso, a evidência de eficácia varia conforme o produto e a condição clínica do doente.
Entendendo a disfunção eréctil
As causas podem ser físicas, psicológicas ou uma combinação de ambas. Fatores físicos incluem:
- Problemas circulatórios;
- Problemas hormonais;
- Problemas neurológicos;
- Efeitos secundários de medicamentos;
- Condições de saúde como diabetes e hipertensão arterial;
- Estilo de vida inadequado (sobrepeso, obesidade, tabagismo, entre outros).
Já os fatores psicológicos podem incluir:
- Stress;
- Ansiedade;
- Depressão;
- Preocupações com o desempenho sexual;
- Problemas de relacionamento.
O diagnóstico envolve uma avaliação médica detalhada, histórico clínico, exame físico, análises ao sangue e exames de imagem. Dessa forma, também é possível identificar as causas e tratar a origem do quadro.
O tratamento varia de acordo com a causa subjacente. Entre as abordagens possíveis estão:
- Terapia psicológica;
- Medicamentos orais;
- Medicamentos injectáveis;
- Terapia hormonal;
- Cirurgia para colocação de prótese peniana;
O que são géis para disfunção eréctil?
Os géis para disfunção eréctil são produtos tópicos que podem potencialmente contribuir para alterações na função eréctil masculina.
Estes produtos surgem como uma alternativa tópica aos tratamentos orais e podem ser considerados por homens que procuram opções diferentes.
Embora ainda não sejam amplamente conhecidos em alguns mercados, os géis para disfunção eréctil têm vindo a ser estudados e utilizados em determinados contextos clínicos, sempre com necessidade de avaliação individual.
Como o gel para disfunção eréctil funciona?
O gel para disfunção eréctil é aplicado localmente, geralmente no corpo do pénis, de acordo com as instruções do produto e a orientação médica.
O produto pode ter diferentes mecanismos de ação, conforme a sua composição. Alguns produtos contêm substâncias ativas que, quando aplicadas localmente, podem potencialmente favorecer a vasodilatação e o aumento do fluxo sanguíneo no pénis, potencialmente contribuindo para alterações na erecção.
Outras opções atuam sobretudo por efeitos físicos ou sensoriais, como sensações transitórias de frio ou calor, que podem potencialmente estimular terminações nervosas locais.
Gel para disfunção eréctil em Portugal
A utilização de géis tópicos tem vindo a ser estudada e introduzida em alguns mercados internacionais, como Portugal. Alguns exigem prescrição médica, enquanto outros podem estar disponíveis sem receita.
Apesar de estarem a ganhar espaço, os géis para disfunção eréctil ainda não são a primeira abordagem para todos os homens. Tratamentos orais, injectáveis e cirúrgicos são os consolidados.
Importa salientar que existem diversos estudos em curso sobre novas substâncias e formulações tópicas. Essas opções ainda em estudo devem ser avaliadas com cautela e só poderão ser consideradas na prática clínica depois de reunirem evidência científica suficiente e obterem o devido enquadramento pelas entidades competentes.
Vitaros®
Este gel à base de Alprostadilo (mesma base das injeções intracavernosas) é um medicamento de aplicação tópica, que pode potencialmente favorecer a vasodilatação e o aumento do fluxo sanguíneo na região, potencialmente contribuindo para alterações na erecção quando há estímulo sexual.
A dose, a frequência de uso e a forma de administração devem ser orientadas por um médico. O gel de Alprostadil é contraindicado em doentes com doenças cardiovasculares, alterações anatómicas do pénis, histórico de priapismo ou uso concomitante de outros medicamentos para disfunção eréctil.
Eroxon® StimGel
O produto é um gel para disfunção eréctil recente, disponível em Portugal. O seu mecanismo baseia-se num efeito físico e sensorial, com arrefecimento seguido de aquecimento gradual. Este efeito pode potencialmente estimular terminações nervosas – ou seja, não é um medicamento vasodilatador.
O gel deve ser aplicado na glande e massajado durante alguns segundos imediatamente antes da relação sexual. O seu efeito pode potencialmente favorecer a resposta eréctil quando há estímulo sexual.
A resposta pode variar de acordo com a causa da disfunção eréctil, o grau dos sintomas, o estado geral de saúde e a existência de outros fatores associados, como doenças cardiovasculares, diabetes, ansiedade, alterações hormonais ou uso de determinados medicamentos.
Como escolher o melhor gel para disfunção eréctil?
O gel mais apropriado é aquele que pode responder à queixa do doente, com segurança e indicação médica clara.
A escolha deve ser sempre individualizada e orientada por um médico urologista. O especialista irá avaliar a causa da disfunção eréctil, o estado geral de saúde, os medicamentos em uso, as expectativas do doente e a existência de contraindicações.
É importante seguir a prescrição e evitar produtos sem orientação profissional, uma vez que o uso inadequado pode causar efeitos adversos, potencialmente atrasando o diagnóstico ou potencialmente agravando condições de saúde já existentes.
Aplicação
A aplicação do gel para disfunção eréctil geralmente é tópica, diretamente no pénis. O modo de aplicação pode variar de acordo com o produto e com as instruções do médico.
Cada produto pode ter recomendações específicas, como o tempo mínimo a aguardar após a aplicação antes da atividade sexual, contacto com água ou outras orientações de segurança.
É importante seguir rigorosamente as instruções de utilização fornecidas pelo médico ou indicadas no folheto informativo do produto.
É seguro utilizar gel no pénis?
Como qualquer outro medicamento ou produto terapêutico, o uso de gel no pénis requer atenção e cuidados específicos.
A utilização de gel no pénis pode ser segura quando o produto é apropriado ao caso, usado corretamente e de acordo com as instruções de utilização ou prescrição médica.
No entanto, mesmo quando o produto pode ser seguro e tem indicação para a disfunção eréctil, isso não garante que será eficaz para todos os homens. Por isso, se não houver alterações ou se a dificuldade de erecção for persistente, é importante considerar uma nova abordagem terapêutica.
Gel funciona para todos os casos de disfunção eréctil?
O gel para disfunção eréctil pode não ser eficaz em todos os casos. A resposta pode variar de acordo com a causa subjacente do problema, o grau de disfunção eréctil, a presença de doenças associadas e as características individuais de cada doente.
Nos estudos com Alprostadilo tópico, o produto mostrou resultados superiores ao placebo, mas não funcionou para todos os homens. Em dois estudos analisados pelo NICE, cerca de 31% a 40% dos participantes apresentaram alterações consideradas relevantes.
No caso do Eroxon®, a avaliação da FDA apontou uma taxa de resposta de 62% no principal estudo apresentado. Também foi observado que parte dos homens referiu potencial início de erecção em até 10 minutos após a aplicação.
Atenção às pomadas prolongadoras de erecção!
É importante que os doentes estejam atentos, pois existem muitas promessas sem base científica no mercado, dirigidas a homens com dificuldade em obter ou manter uma erecção.
Alguns produtos apresentam-se como estimulantes ou afrodisíacos para a vida sexual masculina e prometem prolongar a erecção, mas podem não ter sido adequadamente testados nem apresentar comprovação científica suficiente.
Estes produtos até podem conter substâncias ativas, mas a concentração, a absorção e a indicação clínica podem não ser apropriadas para um tratamento que seja seguro.
A utilização de pomadas, cremes ou géis sem avaliação médica pode representar risco para a saúde. Por isso, deve procurar-se avaliação médica antes de iniciar qualquer produto por conta própria para dificuldades de erecção.
Vantagens
Quando apropriadamente indicado, o gel para disfunção eréctil pode apresentar algumas características em relação a outras abordagens terapêuticas:
- Aplicação localizada;
- Possibilidade de ação mais direta no órgão genital masculino;
- Possibilidade de utilização antes da atividade sexual;
- Aplicação discreta em comparação com algumas outras formas de tratamento;
- Alternativa aos comprimidos orais em casos contraindicados ou sem resposta;
- Potencialmente menos efeitos secundários em comparação com algumas outras opções.
Desvantagens
Apesar de poder ser considerado em casos selecionados, o gel para disfunção eréctil também apresenta limitações:
- Pode potencialmente causar efeitos secundários;
- Exige aplicação antes da actividade sexual, o que nem sempre é conveniente;
- Pode não ser eficaz em todos os casos de disfunção eréctil;
- Pode exigir outras abordagens terapêuticas combinadas quando a causa da disfunção eréctil é mais complexa;
- Pode ter contraindicações ou exigir cuidados específicos, conforme o produto utilizado.
Efeitos secundários
- Dor, ardor ou desconforto local no pénis;
- Vermelhidão ou irritação na pele;
- Comichão genital;
- Erupção cutânea;
- Formigueiro, dormência ou sensação pulsátil no pénis;
- Dor de cabeça;
- Dor no escroto;
- Inflamação do trato urinário;
- Potencial risco de priapismo (erecção prolongada por mais de quatro horas).
- Ligeira sensação de ardor;
- Vaginite.
Contraindicações
Os géis para disfunção eréctil possuem contraindicações, como qualquer outro medicamento. As contraindicações podem variar conforme o produto utilizado, a sua composição e o estado de saúde do doente.
De forma geral, os produtos tópicos para disfunção eréctil podem não ser recomendados nas seguintes situações:
Assim, o gel para disfunção eréctil pode ser considerado em alguns casos, mas deve ser entendido como uma opção complementar dentro de um conjunto mais amplo de tratamento. A sua utilização deve ser orientada por um médico urologista para determinar a possibilidade de resposta a cada abordagem.