Embora não seja possível adotar o termo cura para a Doença de Peyronie, existem diferentes abordagens terapêuticas que podem potencialmente ajudar a melhorar a função peniana e a reduzir o impacto da condição.
A resposta à pergunta “a Doença de Peyronie tem cura?” é negativa. Segundo a literatura científica e a Associação Europeia de Urologia (EAU), é possível realizar um tratamento para controlo dos sintomas, estabilização da doença e correcção funcional da curvatura.
A ausência de uma cura definitiva pode gerar preocupação em homens que lidam com os impactos físicos, sexuais e emocionais da doença. No entanto, dependendo de vários fatores clínicos, é possível definir uma abordagem terapêutica adequada para cada caso.
Atualmente, existem diferentes opções de tratamento que podem potencialmente contribuir para melhorar o quadro, mas a escolha da abordagem mais adequada deve ser feita após avaliação especializada por um urologista.
Além disso, é importante que o doente tenha expectativas realistas quanto aos resultados, uma vez que estes podem variar de acordo com a fase da doença, a gravidade da curvatura, a função eréctil e a resposta individual ao tratamento.
O que é a Doença de Peyronie?
A doença caracteriza-se pela formação de placas fibróticas na túnica albugínea. Estas placas podem reduzir a elasticidade dos tecidos e provocar uma curvatura adquirida durante a erecção.
Na fase aguda, existe um processo inflamatório que pode favorecer o aparecimento ou o agravamento da curvatura, frequentemente associado a dor peniana.
Já na fase estável, a inflamação pode diminuir e a curvatura peniana torna-se mais definida, com menor probabilidade de progressão.

Sintomas da Doença de Peyronie
Nem todos os casos evoluem da mesma forma, por isso, os sintomas da Doença de Peyronie podem variar.
Os sinais mais frequentes são notados durante a erecção e incluem:
- Curvatura no pénis;
- Afinamento do pénis;
- Redução do comprimento do pénis;
- Nódulos ou zonas endurecidas palpáveis;
- Dor peniana (sobretudo na fase inicial);
- Dificuldade ou impossibilidade de penetração;
- Perda de rigidez ou disfunção eréctil.
A Doença de Peyronie pode desaparecer espontaneamente?
A regressão espontânea e completa da curvatura é pouco frequente.
Uma revisão publicada no Asian Journal of Urology indica que a resolução espontânea da curvatura peniana ocorre apenas em cerca de 3% a 13% dos casos.
Isto significa que, embora a dor possa melhorar e a curvatura se estabilizar, especialmente após a fase inflamatória inicial, não é prudente assumir que a deformidade peniana irá desaparecer.
Criar essa expectativa pode atrasar o diagnóstico e limitar as opções terapêuticas disponíveis.
Quais os tratamentos disponíveis actualmente?
A melhor forma de tratar a Doença de Peyronie deve ser definida por um urologista, após avaliação especializada.
A abordagem depende de vários factores, como a fase da doença, a gravidade da curvatura, a presença de dor, a função eréctil, a capacidade de penetração e as expectativas do doente.
Vigilância clínica
O acompanhamento clínico pode ser indicado em situações ligeiras, sobretudo quando a curvatura não impede a actividade sexual, a dor é controlável e não há sinais de progressão significativa.
Nestes casos, o objectivo é monitorizar a evolução da doença, avaliar alterações na curvatura e acompanhar possíveis impactos na função eréctil.
Medicamentos
Os medicamentos podem ter lugar em situações específicas, principalmente para controlo da dor, da inflamação ou da disfunção eréctil associada, sobretudo na fase inicial da doença ou quando há sintomas que interferem com a qualidade de vida sexual.
Terapias complementares e abordagens não cirúrgicas
Algumas terapias complementares, como dispositivos de tração peniana, exercícios de Kegel e ondas de choque podem ser consideradas em contextos específicos.
Estas abordagens não visam reverter a curvatura e têm como objetivo potencialmente auxiliar na preservação do comprimento peniano e na redução do impacto funcional da deformidade.
Cirurgia reconstrutiva
A cirurgia para Doença de Peyronie pode ser considerada quando a curvatura compromete significativamente a atividade sexual.
Este tratamento para curvatura peniana deve ser indicado apenas após avaliação cuidadosa, explicação dos benefícios, riscos e limitações, e alinhamento das expectativas do doente.
Quando a cirurgia pode ser considerada?
A cirurgia pode constituir uma opção terapêutica para a Doença de Peyronie. Geralmente, esta abordagem é considerada quando:
- Fibrose em fase estável;
- Curvatura acentuada, que dificulta ou impede a penetração;
- Movimentos limitados durante a actividade sexual;
- Disfunção eréctil associada.
Antes de qualquer decisão, é importante realizar uma avaliação especializada, uma vez que nem todos os doentes são candidatos ao tratamento cirúrgico.
É possível recuperar a função sexual?
Alguns casos de Doença de Peyronie podem estar associados a disfunção eréctil. Nestes casos, o tratamento deve considerar não apenas a deformidade peniana, mas também a função sexual.
A recuperação da função sexual – ou seja, a capacidade de obter e manter rigidez suficiente para a penetração – pode potencialmente depender da colocação de uma prótese peniana durante a cirurgia reconstrutiva.
Importa salientar: a melhoria da função sexual não significa que a condição esteja “curada”, mas pode potencialmente representar uma recuperação funcional importante para o doente.
Quando procurar avaliação especializada?
A avaliação especializada deve ser considerada logo que o homem note os sintomas típicos da Doença de Peyronie.
Quanto mais cedo for realizada a avaliação, melhor será a compreensão da fase da doença, o acompanhamento da sua evolução e a definição de uma abordagem adequada.
A Doença de Peyronie tem tratamento, e procurar ajuda médica não deve ser motivo de vergonha ou receio. A consulta com um urologista ou andrologista deve ser encarada como um espaço confidencial e preparado para acolher este tipo de queixa sem julgamento.
Perguntas frequentes
Tem como reverter a Doença de Peyronie?
Nem sempre é possível reverter completamente a Doença de Peyronie. Os tratamentos disponíveis podem potencialmente ajudar a controlar sintomas, estabilizar a doença e potencialmente melhorar a curvatura e a função sexual.
Quanto tempo demora para tratar a Doença de Peyronie?
Não existe um prazo definido para tratar a Doença de Peyronie, uma vez que o objetivo é controlar sintomas, estabilizar a doença e reduzir o impacto funcional.
O que acontece se não tratar Peyronie?
Sem acompanhamento, a curvatura pode estabilizar, mas também pode progredir e dificultar a penetração, causar dor, afetar a erecção e gerar impacto emocional e sexual.
O que piora a Doença de Peyronie?
A Doença de Peyronie pode potencialmente piorar com novos traumatismos penianos. A ausência de acompanhamento pode atrasar o diagnóstico e limitar as opções terapêuticas disponíveis.
Avaliação especializada para Doença de Peyronie
Caso apresente sintomas compatíveis com Doença de Peyronie ou tenha dúvidas sobre as opções terapêuticas disponíveis, realize uma avaliação especializada.