Peyronie calcificada causa prejuízos para a relação sexual e exige uma abordagem cirúrgica mais complexa e personalizada.
Há homens que convivem com a Doença de Peyronie durante meses ou anos antes de procurarem ajuda médica. O risco de adiar este momento é que pode permitir a evolução da doença, com possível progressão da curvatura e, em alguns casos, calcificação fibrótica.
Sem uma avaliação adequada, não é possível saber como está a área interna afectada. Quanto mais tempo o doente passa sem diagnóstico e acompanhamento, maior pode ser o risco de a fibrose peniana se tornar calcificada e dura, com possível redução da resposta aos tratamentos clínicos. A essa altura, a relação sexual pode ficar difícil.
Contudo, a Peyronie calcificada pode ter opções de tratamento. Neste caso, a cirurgia de reconstrução peniana pode ser considerada, de acordo com as orientações internacionais para o tratamento da condição.
O que é Peyronie calcificada e porque a placa fica dura
A Doença de Peyronie é caracterizada pela formação de uma placa fibrosa na túnica albugínea.
Quando essa placa calcifica, o tecido pode perder grande parte da sua elasticidade e passar a comportar-se como uma placa dura peniana durante a erecção, potencialmente favorecendo deformidades e redução de rigidez.
Evolução da placa fibrótica
A Doença de Peyronie inicia-se com um processo inflamatório, com surgimento e possível progressão da curvatura. Conforme a condição evolui, pode chegar à fase crónica do Peyronie. Nesta fase, a placa pode estabilizar e a curvatura pode deixar de progredir.
Ao longo do tempo, pode ocorrer deposição de colagénio na fibrose, o que pode deixar a placa mais espessa. Dependendo do organismo, a perda de elasticidade pode agravar-se, potencialmente levando ao endurecimento progressivo da placa.
O que significa calcificação na prática
A calcificação corresponde ao processo de depósito de cálcio dentro da placa fibrótica ao longo do tempo, dando origem à placa calcificada de Peyronie.
Quando calcificada, a placa torna-se mais dura e menos capaz de acompanhar a expansão natural do pénis durante a erecção. O resultado é uma deformidade mais rígida, com maior limitação funcional durante a relação sexual.
Diferença entre placa mole e placa dura
A diferença entre placa mole e placa dura é essencial para definir o tratamento.
- Placa mole: pode preservar alguma flexibilidade na fase inicial da Doença de Peyronie. Dependendo do caso, pode responder a terapias conservadoras e complementares.
- Placa dura ou calcificada: pode impedir a flexibilidade adequada do tecido peniano e pode ter resposta limitada aos tratamentos conservadores e complementares. Pode ser necessário considerar uma cirurgia peniana mais complexa.
Por que tratamentos clínicos deixam de funcionar
Os tratamentos clínicos têm maior utilidade quando a doença ainda está em fase inflamatória. Eles são indicados para dor e dificuldade de rigidez durante a relação sexual, ajudando o doente a manter a vida sexual.
No entanto, medicamentos, terapias complementares e abordagens não invasivas não têm capacidade de reverter uma curvatura calcificada nem restaurar a elasticidade perdida.
Por isso, quando há placa calcificada de Peyronie, estas alternativas podem ter eficácia limitada, particularmente quando há deformidade rígida e limitação da função peniana.
Quando a doença entra na fase estável
Esta fase ocorre quando a placa se estabiliza, torna-se mais firme, menos elástica e, em alguns casos, calcificada.
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Quando a cirurgia passa a ser indicada
A indicação cirúrgica deve ser considerada após um urologista avaliar a estabilização da fibrose. Não depende apenas do grau da curvatura, mas também do impacto funcional na vida sexual do doente.
Critérios clínicos para indicação cirúrgica
A cirurgia para Peyronie calcificada pode ser considerada quando existe:
- Curvatura significativa;
- Disfunção eréctil;
- Dificuldade ou impossibilidade de penetração;
- Zonas de afinamento;
- Encurtamento do comprimento peniano;
- Falha de tratamento conservador.
Importa salientar que a cirurgia é reservada para situações em que a fibrose está comprovadamente estabilizada e não responde às abordagens clínicas.
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Impacto na qualidade de vida
A Peyronie calcificada não afecta apenas a estrutura dos tecidos penianos. A condição também pode estar associada a alterações no bem-estar psicológico, particularmente quando o homem descobre que o quadro é mais grave e complexo do que esperava.
As deformidades e a disfunção eréctil já podem comprometer naturalmente a vida sexual.
Avaliação individual do caso
Cada doente candidato ao procedimento cirúrgico deve ser analisado com detalhe. O cirurgião avalia os seguintes factores para determinar a estratégia cirúrgica mais adequada:
- Grau e direcção da curvatura;
- Deformidades associadas (perda de comprimento e afinamento);
- Extensão da calcificação;
- Qualidade da erecção;
- Sensibilidade.
Esta avaliação permite definir a técnica mais apropriada para a correcção da curvatura severa e a restauração da funcionalidade peniana.
Também é importante alinhar as expectativas do doente antes da cirurgia. O doente deve compreender que a cirurgia visa permitir uma relação sexual com maior previsibilidade, além de conhecer os riscos envolvidos e o tipo de recuperação esperado.
Abordagem cirúrgica para Peyronie calcificada
A cirurgia da Peyronie severa exige, frequentemente, uma abordagem cirúrgica combinada: é necessário reconstruir a área afectada pela placa e recuperar a rigidez peniana.
A reconstrução é realizada através de microincisões na placa calcificada. Com o relaxamento dos tecidos endurecidos, pode ser possível alinhar o pénis e permitir que se expanda de forma mais equilibrada.
Além disso, este relaxamento pode permitir a expansão dos tecidos. Assim, durante o mesmo procedimento, o cirurgião pode atuar sobre a restrição de tamanho e calibre, procurando restaurar as dimensões penianas até ao limite anatómico do doente.
Como a Peyronie calcificada está frequentemente associada a disfunção eréctil, a reconstrução isolada pode não ser suficiente para restaurar a rigidez, mesmo quando a curvatura é corrigida.
Nestes casos, o implante de uma prótese peniana pode ser fundamental para restabelecer a rigidez funcional.
No seu conjunto, o tratamento da Peyronie com calcificação procura corrigir as deformidades, restaurar a função penetrativa e potencialmente contribuir para alterações na qualidade de vida sexual.
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Os desafios da cirurgia em placas calcificadas
A cirurgia em Peyronie calcificada é mais complexa porque o tecido endurecido dificulta a reconstrução da área afectada.
Maior rigidez do tecido
Risco de perda funcional
Por isso, se a estratégia cirúrgica não incluir a colocação de uma prótese peniana quando esta é necessária, o doente pode continuar a apresentar dificuldade em obter ou manter uma erecção adequada para a relação sexual.
Necessidade de experiência cirúrgica
Os casos calcificados exigem um cirurgião com experiência específica. É importante escolher a técnica mais apropriada para cada doente, planear a intervenção de forma individualizada e executar a cirurgia com precisão técnica.
Além disso, o cirurgião deve saber avaliar quando a prótese peniana é necessária, qual a dimensão mais adequada e como adaptar a cirurgia à anatomia do doente.
Também é fundamental preservar os corpos cavernosos, favorecendo o melhor preenchimento residual possível, e proteger as estruturas nervosas responsáveis pela sensibilidade.
É possível recuperar função e qualidade de vida?
Em muitos casos, pode ser possível restaurar a função peniana e potencialmente contribuir para alterações na qualidade de vida sexual do doente. Para isso, a abordagem deve ser adequada ao caso. Contudo, a cirurgia não deve ser encarada como uma garantia de resultado.
Resultados esperados
- Alinhamento do pénis;
- Correcção das deformidades, como restrição de comprimento e afinamento;
- Restauração da rigidez peniana durante a erecção;
- Restauração da capacidade de penetração;
- Potencial alteração da confiança sexual;
- Potencial redução do impacto psicológico.
Limitações possíveis
Importa salientar que cada doente apresenta um grau diferente de fibrose, calcificação, elasticidade dos tecidos e resposta cicatricial.
Embora tenha como objetivo restaurar a função sexual, a cirurgia não visa aumentar o tamanho do pénis. A otimização das dimensões pode ocorrer quando a libertação dos tecidos permite recuperar parte da expansão perdida pela condição, até ao limite de segurança das estruturas nervosas. Por isso, não é possível prever com precisão qual será o tamanho final do pénis após o procedimento.
Além disso, existe risco de alteração ou perda de sensibilidade, caso não haja cuidado para proteger os nervos.
Por fim, a cirurgia apresenta riscos comuns a outros procedimentos, como dor, hematomas, sangramento, cicatrização desfavorável, necessidade de reabilitação e ajustes de expectativa quanto ao resultado final.
Importância do acompanhamento
Depois da cirurgia, o doente deve ser acompanhado para avaliar a cicatrização, controlar o edema, orientar os cuidados locais e identificar precocemente qualquer sinal de intercorrência.
Também é durante o acompanhamento que o médico orienta a retoma progressiva das actividades habituais, como trabalhar e praticar desportos. O profissional também define o momento para a retoma da actividade sexual, com orientações para o uso da prótese peniana.
Em alguns casos, pode ser indicada reabilitação peniana, com exercícios, dispositivos e fisioterapia específica para potencialmente favorecer a adaptação dos tecidos, preservar o resultado obtido e potencialmente contribuir para alterações na confiança do doente no retorno à vida sexual.
Placa calcificada não significa falta de solução — significa necessidade de abordagem especializada
Perante um diagnóstico de Peyronie calcificada ou a suspeita de uma placa dura, é natural que surjam dúvidas e preocupações em relação à vida sexual. Porém, isso não significa ausência de tratamento.
Quando a placa fica endurecida, os tratamentos clínicos podem ter eficácia limitada e a cirurgia pode ser considerada como uma opção de tratamento.
Se foi diagnosticado com Peyronie calcificada ou suspeita de placa dura, é importante procurar uma avaliação detalhada. Cada caso exige uma estratégia específica.
O Dr. Paulo Egydio é urologista com mais de 28 anos de experiência no tratamento da Doença de Peyronie. Contacte a nossa clínica.